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26/04/2006 - 07h53

Ivan Lessa: Que fim levaram os discos voadores?

IVAN LESSA
da BBC Brasil

O cavalheiro aí tem visto discos voadores? Ou a senhora ou senhorita?

Peço-vos que sejam sinceros. Vou mais longe: alguém andou lendo ou vendo ao menos fotografia ou aqueles filmes e videoteipes fora de foco e borrados que não saíam da mídia?

Digam a verdade, digam que ninguém tem visto nada. Nada mesmo. Neris de pitibiriba, como se dizia na época dos discos voadores – há muito, muito tempo atrás.

Na verdade, não foi há tanto tempo assim que os OVNI (eu sempre odiei essa sigla para "objeto voador não identificado". OVNI é goleiro de time da segunda divisão no nordeste. Se é para siglar, fiquemos no UFO mesmo, que, em inglês, nossa segunda língua, quase empatando com a primeira, já está até dicionarizada, com ufologia e ufologistas batendo o ponto lexicográfico. Mas eu abri parênteses e neles me encerrei como que, para voltar devagarzinho ao tema, sequestrado por… por disco voador, ora!), não foi há tanto tempo assim – repito, uma vez de volta à terra firme –, que os discos voadores nos deixaram para nunca mais voltar.

Os discos voadores saíram do noticiário mais ou menos durante os anos em que se popularizaram os videogravadores e essas ubíquas câmeras digitais que todo mundo, turista ou não, leva consigo por esse mundo de Deus, fotografando e cristalizando numa telinha, desde a mudança da guarda em frente ao palácio de Buckingham ao menino soprando a sétima velinha do bolo de aniversário.

A conclusão é óbvia e eu não quero insultar a inteligência de ninguém explicando que a proliferação de um é a causa do desaparecimento de outro.

Isso implicaria em admitir que eu estou aqui, neste espaço, afirmando que todas aquelas fotos e filmes célebres, que fizeram mais interessante nosso tempo de lazer e de trabalho, não passavam de uma tremenda enganação, de fajutice grosseira. Absolutamente. De jeito nenhum.

Histerias: pessoal e coletiva

A explicação mais razoável é aquela que os céticos sempre ofereceram: histeria coletiva. Ou histeria pessoal e intransferível. As fotos? Os vídeos? Os filmes em 8 e 16mm?

Apenas a projeção da fantasia de mentes doentias e em choque com a realidade (sem graça, convenhamos) do dia a dia.

Foi divertido enquanto durou, ó extraterrestres! Dos tempos bíblicos até o fim da guerra-fria, passando pelo E.T., por encontros imediatos do terceiro grau e pelos arquivos secretos e populares.

Por uns tempinhos – os séculos voam – pensamos que não estávamos sós. Ledo e crasso engano. É isso aí. Temos de nos aguentarmos uns aos outros e a nós mesmos aqui nessa escuridão. Sobram-nos, ao menos, as tais câmeras e vídeo. Só. Sós.

Em nós portanto o último mistério, tirando essa tolice que é o Da Vinci e seu código.

Em nós, em nossa cabecinha de vento, a tal da mente humana, para lhe dar um nome pomposo. Tão capaz de captar no celulóide (mas não no digital) uma remotíssima probabilidade, como todas aquelas fantasias do Spielberg, mas avessa a tudo que é, no mínimo, mais lógico, provável e simples. Feito a Internet. Que não tem segredo ou truque. Não tem. Mesmo?
 

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