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15/09/2006 - 12h42

Leia trechos do discurso do papa que causaram polêmica

da BBC

Comentários do papa Bento 16, durante viagem à Alemanha, provocaram indignação no mundo islâmico, que exige um pedido de desculpas do pontífice por "insultar" os muçulmanos.

Leia abaixo algumas das declarações feitas pelo papa durante discurso na Universidade de Regensburg. O título da palestra de Bento 16 é "Fé, Razão e a Universidade: Memórias e Reflexões".

Sobre universidade

"É uma experiência emocionante para mim voltar novamente à universidade e poder novamente dar uma palestra nesta tribuna.

A universidade (de Bonn, onde o papa lecionou a partir de 1959) também tinha muito orgulho das suas duas faculdades de teologia. Este profundo senso de coerência dentro do universo da razão não foi abalado, mesmo quando foi dito que um colega nosso afirmara que havia algo de estranho sobre nossa universidade --que tinha duas faculdades voltadas para algo que não existe: Deus.

Até mesmo sob a face de um ceticismo tão radical, ainda assim é necessário e razoável levantar a questão de Deus através do uso da razão, e fazer isso no contexto da tradição cristã da fé: isso, dentro da universidade como um todo, foi aceito sem questionamentos."

Sobre guerra santa

"Eu fui lembrado de tudo isso recentemente quando li (...) parte de um diálogo que aconteceu --talvez em 1391 nos quartéis de inverno perto de Ancara-- pelo erudito imperador bizantino Manuel 2º Paleologus e um persa educado nos assuntos do cristianismo e do islã, e as verdades de ambos.

Na sétima conversa (...) o imperador toca no assunto da guerra santa. Sem entrar em detalhes, como a diferença entre aqueles que leram o "Livro" e os "infiéis", ele se dirigiu ao seu interlocutor com uma rispidez surpreendente na questão central sobre a relação entre religião e violência em geral, dizendo: "Mostre-me o que Maomé trouxe que era novo, e lá você encontrará apenas coisas más e desumanas, como o seu comando de espalhar pela espada a fé que ele pregava".

O imperador, depois de se expressar tão fortemente, continuou explicando em detalhe os motivos pelos quais espalhar a fé através da violência são desarrazoados. Violência é incompatível com a natureza de Deus e com a natureza da alma. "Deus", ele disse, "não fica contente com sangue --e não agir razoavelmente é contrário à natureza de Deus. A fé nasce da alma, e não do corpo. Qualquer um que leve alguma pessoa à fé precisa da habilidade de falar bem e de raciocinar apropriadamente, sem violência ou ameaças."

Sobre religião e razão

"A declaração decisiva neste argumento contra à conversão violenta é isso: não agir de acordo com a razão é contra a natureza de Deus. O editor Theodore Khoury observa: para o imperador, enquanto um bizantino moldado pela filosofia grega, esta declaração é auto-evidente. Mas para o ensinamento muçulmano, Deus é absolutamente transcendente. A sua vontade não está presa a nenhuma das nossas categorias, mesmo àquela da racionalidade.

Neste momento, até onde diz respeito à compreensão de Deus e portanto à prática concreta da religião, nós estamos diante de um dilema inevitável. A convicção de que agir desarrazoadamente contradiz a natureza de Deus é meramente uma idéia grega, ou isso é sempre e intrinsecamente verdade?"

Sobre teologia e ciência

"A teologia liberal dos séculos 19 e 20 anunciou um segundo estágio no processo de 'deshelenização', com Adolf von Harnack como seu grande representante.

Se disse que Jesus colocou um fim à adoração em troca de uma moralidade. No fim, ele foi apresentado como pai da mensagem moral humanitária. Fundamentalmente, a meta de Harnack era trazer o cristianismo novamente em harmonia com a razão moderna.

(Mas)... qualquer tentativa de manter a premissa da teologia de ser científica acabaria por reduzir o Cristianismo a um mero fragmento do que era (...) Isso é um estado perigoso para a humanidade, como nós podemos observar nas patologias perturbadoras da religião e razão que sempre eclodem quando a razão é reduzida a isso. (...) Religião ou ética não mais se ocupam disso."

Conclusão

"A intenção aqui não é de ser reducionista ou negativamente crítico, mas de aumentar nosso conceito de razão e suas aplicações. Só assim nós nos tornamos capazes daquele diálogo genuíno entre culturas e religiões que é tão urgentemente necessário hoje.

No mundo ocidental é amplamente aceito que apenas a razão positivista e as formas de filosofia baseadas nela são universalmente válidas. Mesmo assim, as culturas religiosas profundas encaram isso como essa exclusão do divino da universalidade da razão como um ataque às suas convicções mais profundas. A razão que é surda ao divino e que relega a religião ao patamar das subculturas é incapaz de ingressar no diálogo das culturas."

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