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11/05/2001 - 05h30

Carlistas desistem de CPI para salvar ACM

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RAYMUNDO COSTA
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Admitam ou não o Planalto e os partidos, o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) retirou do requerimento da CPI da corrupção as assinaturas de cinco deputados que seguem sua orientação política para ajudar um entendimento suprapartidário a fim de salvar seu mandato.

Se as negociações derem certo, ACM teria o mandato suspenso por 90 dias e o ex-tucano José Roberto Arruda (DF), por 180 dias. O esforço do PFL é comandado por Jorge Bornhausen (SC) e pelo vice-presidente Marco Maciel.

ACM é um incômodo para boa parte do comando pefelista, mas o entendimento que prevalece é que o PFL não é PFL sem o baiano e a Bahia, Estado de onde tira o grosso de seus votos. Seria como o PPB sem Paulo Maluf.

O presidente Fernando Henrique Cardoso acompanhou a operação passo a passo, mas não quis dar aval ao que ela implicava: o envolvimento direto do Planalto em costura para salvar os mandatos de ACM e Arruda no Conselho de Ética do Senado.

Mas alguns dos principais interlocutores do presidente dão a senha para o acordo. Dizem eles que é ""lícito" os carlistas apostarem no alívio da pena ao seu líder.

A negociação não foi fácil. Há poucos dias, a tensão entre o grupo carlista e os palacianos tornou praticamente certa a cassação de ACM, por um lado, e a instalação da CPI, por outro.

Àquela altura, imaginava-se que a oposição pudesse alcançar até 190 assinaturas (chegou perto, com 184) e que a perda de mandato do senador baiano fosse uma questão de tempo.

Mas ACM foi convencido a pedir que os deputados que seguem sua orientação política abandonassem o barco da CPI. Eram cinco: os baianos Ariston Andrade, Paulo Magalhães, Luís Moreira, Ursicino Queiroz, todos do PFL, e Eujácio Simões, do PL.

Para o comando pefelista, FHC não precisa avalizar um acerto interpartidário no Congresso. Basta não atrapalhar. As cinco assinaturas retiradas por ACM não seriam suficientes para impedir a instalação da CPI, mas o PFL espera que sejam entendidas como "demonstração de boa vontade".

Acertada a adesão de ACM, Bornhausen ligou para o líder na Câmara, Inocêncio Oliveira (PFL-PE), e passou o telefone para o senador baiano. Ficou acertado que Paulo Magalhães, sobrinho de ACM, lideraria a retirada das assinaturas, para deixar claro que o cacique baiano dera seu aval.

ACM fez questão de deixar suas impressões digitais por toda parte. O deputado Ariston Andrade deu entrevista dizendo que era um liderado de ACM e faria o que ele mandasse.

O PFL não tem certeza se a operação para salvar o mandato de ACM dará certo. Ninguém tem. Mas espera que o movimento de ACM desarme a base aliada. Às vésperas da sucessão de 2002, é pouco provável que isso ocorra. Mas, em nome da sobrevivência mútua, os partidos aliados parecem dispostos a desarmar as armadilhas que eles próprios, além da oposição, armaram.

A primeira mina desarmada foi a CPI do Finor, que anteontem deixou de lado as denúncias contra o tucano Tasso Jereissati (CE). Ontem foi a vez da CPI da corrupção, um balaio que, além de FHC, incluía ACM e seu desafeto Jader Barbalho (PMDB-PA).

Arruda almoçou ontem com o secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira. Expôs seu drama pessoal e passou a maior parte do tempo chorando.
 

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