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20/06/2000 - 03h56

PT usa Bicudo para ganhar conservadores

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FÁBIO ZANINI, da Folha de S.Paulo

A candidata à Prefeitura de São Paulo pelo PT, Marta Suplicy, 55, disse ontem que a presença do ex-deputado federal Hélio Bicudo, 77, como seu candidato a vice, vai ajudar a vencer "bolsões de conservadorismo na população".

"Hélio é uma unanimidade na sociedade. Gente que desconfiava de mim agora terá mais segurança para me dar um voto", disse.
Bicudo, ligado à Igreja Católica, é especialista em defesa dos direitos humanos.

Mas a candidata afirmou que a escolha de Bicudo não se deu apenas por questões eleitorais.

"Ele é uma pessoa que transcende disputas internas, unifica o partido", diz Marta.

Bicudo foi a solução de consenso, encontrada pelo PT no último momento, para evitar um racha na convenção de anteontem. O posto de vice na chapa era reivindicado pelos deputados Paulo Teixeira (estadual) e Arlindo Chinaglia (federal).

Bicudo terá uma deferência especial na campanha. Presidente da Comissão de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, ele chega a passar 15 dias por mês fora do país.

Assim, terá uma participação "light" na campanha, fazendo sua própria agenda e escolhendo os eventos em que quer estar.

"Ele fará participações pontuais, não vai precisar visitar duas ou três
favelas por dia, todos os dias", diz Marta.

O PT conta com Bicudo mais como um contraponto à imagem liberal de Marta, autora de polêmicos projetos sobre aborto e direitos dos homossexuais.

Bicudo foi procurado ontem pela Folha, mas, segundo sua assessoria, ele
não iria dar entrevista em razão de um resfriado.

A candidata disse ontem que as desavenças com seu colega de chapa, com quem tem um histórico de polêmicas, são "coisa do passado".
O ex-deputado federal se opôs a projetos apresentados por Marta durante seu mandato como deputada federal (1995-98).

Os principais dizem respeito à regulamentação do direito de aborto e à parceria civil para homossexuais (em que gays teriam direito à herança em caso de morte do parceiro, por exemplo).

"Marta comete equívocos (ao defender o direito ao aborto). Não se trata de questão de fé ou de religião, mas de problema político, relativo à bioética", disse Bicudo em julho de 1996.

O troco de Marta veio na mesma moeda, tratando, desta vez, da questão dos homossexuais.

"Lamento que o companheiro Hélio Bicudo se paute por fundamentos de sua crença religiosa ao tratar de direitos sexuais. Creio que minhas posições estão mais de acordo com a militância e a direção do nosso partido", disse a hoje candidata, também em 1996.

No início de 1998, quando a candidatura Marta a governadora se esboçava, houve nova polêmica.
Bicudo se opôs a essa possibilidade e preferiu apoiar a reeleição de Mário Covas (PSDB).

"Só o Covas tem condições de criar uma frente capaz de vencer o malufismo. Se precisar, subo no palanque dele", afirmou Bicudo, em janeiro de 1998.

Ele não escondia o que motivava sua oposição a Marta. " Eu descarto a candidatura dela. Com toda a rede de saúde do Estado na mão, ela poderá implantar aqui as idéias que defende", disse.
Marta declarou ontem que se reconciliou com Bicudo e que o que foi dito são "águas passadas".

"Sempre respeitei o Hélio, mesmo no auge das polêmicas. Eu e ele mantemos nossas posições, mas temos um caminho muito bom de entendimento. Até porque tais temas não são próprios de uma campanha municipal."

Marta diz que a reaproximação veio cerca de seis meses após as eleições para governador, em outubro de 1998. "Várias pessoas fizeram a ponte. Até que um dia eu fui a sua casa e nos entendemos. Tenho enorme consideração por ele", disse.

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