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08/09/2002 - 10h12

Sem recursos, Garotinho perde o apoio de lideranças do PSB

MURILO FIUZA DE MELO
e LIEGE ALBUQUERQUE
da Folha de S.Paulo, no Rio e em SP

Sem recursos financeiros para tocar a campanha, o ex-governador Anthony Garotinho (PSB) perde cada vez mais apoio político dentro do próprio partido.

A palavra "equívoco" para descrever o lançamento da candidatura é cada vez mais ouvida entre lideranças do PSB. Vários candidatos nos Estados já estão aderindo à campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ou se negam a pedir votos para o ex-governador.

Neste fim de semana, o diretório estadual do PSB do Ceará decidiu oficializar o apoio ao petista. Em São Paulo, a deputada federal Luiza Erundina, candidata à reeleição, se recusou a aparecer no horário eleitoral gratuito pedindo votos para Garotinho. "É um equívoco manter a candidatura depois da verticalização", diz.

O mesmo ocorreu no Rio, com o deputado Jamil Haddad. "Não estou na campanha da Rosinha [candidata ao governo e mulher do presidenciável] e do Garotinho. Acho que o partido está se transformando numa legenda de aluguel." Haddad não aceitou a aliança estadual entre o PSB e o PPB, declarou apoio a Lula e foi excluído da propaganda na TV.

O ex-candidato ao governo de São Paulo pelo PSB, Jacob Bittar, é claro sobre por que abandonou a candidatura: "Não queria uma campanha de faz-de-conta, só para dar tempo na TV para a candidatura à Presidência".

O coordenador da campanha de Garotinho, Márcio França, diz que "essas pessoas estão se precipitando". "Como Heloísa Helena [AL], que brigou com o PT e está arrependida. Como Inocêncio Oliveira [PFL], que se bandeou para Ciro e agora que Serra deu uma subidinha está querendo voltar." Para ele, pouco antes da eleição, todos os desertores estarão fazendo "o caminho de volta".

No Ceará, oitavo colégio eleitoral do país, com 4,8 milhões de eleitores, a oposição a Garotinho é oficial. O diretório estadual do PSB já fechou com o candidato petista, e a decisão agora será levada ao candidato do partido no Estado, Wellington Landim, que deverá seguir os companheiros de legenda. O candidato ao Senado, Deodoro Santana, já faz campanha aberta em favor de Lula.

"[A candidatura Garotinho] foi um desastre sem dimensão, um equívoco histórico que terá um custo político muito forte para o partido. Só espero que o partido apoie a candidatura mais progressista, a de Lula", afirma o deputado Sérgio Novais (PSB-CE).

No Distrito Federal, o candidato socialista Rodrigo Rollemberg não anunciou apoio ao PT, mas se nega a fazer campanha para Garotinho. Nos Estados, as candidaturas ao governo só estão em boa posição nas pesquisas no Rio de Janeiro e no Rio Grande do Norte.

Na Bahia, a deputada estadual Lídice da Matta, que renunciou à disputa estadual, tem evitado criticar Garotinho. Candidata à reeleição, ela compara, porém, a campanha do PSB em seu Estado à de partidos menores. "A nossa candidatura [a governador] é como a do PCO, do PSTU. Ou seja, é feita por dirigentes do partido que defendem a idéia do partido", diz.

Lídice e Novais criticam a iniciativa de Garotinho de ter obrigado Erundina a vincular sua campanha, na televisão, à do presidenciável. "O que estão exigindo da Erundina é um absurdo. No conceito do horário eleitoral gratuito, deputado não deve fazer propaganda de presidente."

O secretário nacional do PSB, Carlos Siqueira, sai em defesa da candidatura própria à Presidência. "Independentemente da candidatura presidencial, nossa estimativa é a de que faremos entre 25 e 28 deputados federais."
 

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