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19/08/2003 - 15h12

Garotinho "arrasta" 12 deputados para o PMDB e "esvazia" PSB

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RICARDO MIGNONE
da Folha Online, em Brasília

A filiação de Anthony Garotinho ao PMDB causou uma grande migração de deputados na Câmara. Quem mais ganhou com o troca-troca foi o próprio PMDB, cuja bancada saltará de 66 para 78 deputados, passando a ser a segunda maior da Casa. O PT possui 93 integrantes.

O mais prejudicado com a entrada de Garotinho no PMDB foi o PSB, seu ex-partido. A bancada da legenda praticamente foi reduzida pela metade, caindo de 29 para 16 deputados.

Ao comentar o fato de sua saída do PSB ter provocado uma debandada de aliados, Garotinho não quis relacionar o caso à nenhuma vingança pessoal contra a direção nacional da legenda. Há cerca de três meses, a Executiva Nacional do PSB decidiu não recadastrar a ficha de filiação de Garotinho, o que foi entendido como uma "expulsão branca" do partido.

"Em momento nenhum eu baseio minhas atitudes com o sentimento de vingança. Não é esse o meu interesse. Eu saí e outros companheiros saíram comigo porque não concordaram com o processo antidemocrático. Não me deram nem o direito de defesa. Se quisesse discutir na comissão de ética, fazer o debate, mas não, simplesmente não recadastraram a minha ficha de filiação", declarou Garotinho.

Ao todo, o PMDB ganhará 12 deputados e o PSB perderá 13. Mas as duas legendas não foram as únicas afetadas pela mudança de partido feita por Garotinho. Dos 12 que irão se filiar ao PMDB, um sairá do PP e outro do PTB. E dos 13 que deixarão o PSB, 10 se filiarão ao PMDB e três, que têm divergências regionais com os peemedebistas, entrarão no PSC, que terá ainda a adesão de um deputado do PTB e outro do PFL.

Com as mudanças, a bancada do PMDB saltará de 66 para 78 deputados, a do PSB cairá de 29 para 16 e a do PSB subirá de um para seis integrantes. O PFL ficará com 68 deputados e o PTB com 52.

PMDB

O presidente nacional do PMDB, deputado Michel Temer (SP), não escondeu a satisfação pelo crescimento do partido. Apesar de preferir não falar em ministérios para o partido, segundo Temer, o governo deverá dar uma maior importância ao PMDB.

"O fato de termos mais 12 deputados federais é uma grande conquista. Vamos a quase oitenta deputados. É claro que o PMDB tem que ser olhado com o tamanho e a qualidade das suas atividades. Eu acho que não é o problema de ganhar o ministério. O problema é o PMDB ser visto, olhado e levado em conta segundo o seu tamanho", afirmou Temer.

Já o governador de Santa Catarina, Luiz Henrique, que assistiu o ato de filiação de Garotinho, fez questão de deixar claro que defende negociações com o governo sobre ministérios somente após a aprovação das reformas constitucionais.

"O PMDB fica fortalecido e aumenta a base de apoio ao presidente Lula. O governo tem sido atencioso com o PMDB. Acho que nós devemos aprovar as reformas. Depois das reformas é que o governo pode ter o espaço e o tempo adequado para promover uma reforma ministerial", afirmou.

Além de provocar mudanças nas bancadas federais, a entrada de Garotinho também provocou alterações no quadro político no Estado do Rio de Janeiro. De acordo com o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Pisciani (PMDB), a bancada de seu partido deverá crescer de 12 para 23 deputados, passando a ser a maior da Casa. A segunda é a do PT, com oito deputados estaduais.

Já a do PSB, segundo Pisciani, poderá cair de 12 para apenas 2 integrantes. Além disso, ele disse que há a expectativa de que o PMDB passe a ter de 40 a 45 prefeitos no Estado, aumentando bastante o número atual de 12 prefeituras administradas pelo partido.

PSB

No PSB, o mais prejudicado com a mudança de partido feita por Garotinho, a ordem agora é juntar os cacos e tentar fazer a bancada crescer novamente em termos numéricos. A bancada do partido foi reduzida praticamente à metade, caindo de 29 para 16 deputados.

Para o 1º vice-líder da legenda, Renato Casagrande (ES), o número de deputados caiu mas a bancada que restou permanece unida. Ele disse acreditar que será possível recuperar as perdas nos próximos dias.

"A nossa expectativa é que possamos recuperar nos próximos dias. O partido perdeu uma liderança como Garotinho, mas está ganhando em unidade. Foi um prejuízo imediato mas é um grande futuro [para o PSB]", declarou Casagrande.

De fato, cogita-se nos bastidores do troca-troca partidário que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teria garantido ao PSB que ajudaria a recompor a bancada do partido. Segundo a Folha, O PSB deverá receber nos próximos dias as filiações do ministro das Comunicações, Miro Teixeira (PDT), e do presidente da Infraero (Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária ) Carlos Wilson, ex-PTB.

Miro e Wilson iriam para o PSB levando junto pelo menos dez deputados federais, a maioria do PDT. O Planalto não quer que a sigla, considerada o aliado mais fiel, fique com a bancada reduzida.

Veja abaixo quais deputados federais mudarão de partido:

Entrarão no PMDB:

Almerinda Carvalho (PSB-RJ)

Bernardo Ariston (PSB-RJ)

Eduardo Cunha (PP-RJ)

Edson Ezequiel (PSB-RJ)

Josias Quintal (PSB-RJ)

Nelson Bornier (PSB-RJ)

Sandro Matos (PSB-RJ)

Luiz Rogério Magalhães (PSB-RJ)

Gilberto Nascimento (PSB-SP)

Jefferson Campos (PSB-SP)

Hidekazo Takayama (PSB-PR)

Pedro Ribeiro (PTB-CE)

Luiz Rogério Magalhães (PSB-RJ)


Entrarão no PSC:

Cabo Júlio (PSB-MG)

Pastor Amarildo (PSB-TO)

Carlos Willian (PSB-RJ)

Zequinha Marinho (PTB-PA)

Costa Ferreira (PFL-MA)
 

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