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12/10/2003 - 06h53

Governador de Rondônia quer ajuda para conter tráfico

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JAIRO MARQUES
da Agência Folha

O governador de Rondônia, Ivo Cassol (PSDB), disse que grupos ligados ao narcotráfico estão controlando áreas no campo no Estado e que a força estadual, sozinha, não pode conter a movimentação ilegal. O tucano disse ainda que espera ajuda federal para controlar a situação do tráfico e para tentar conter os conflitos armados.

"A Polícia Federal e outros órgãos federais precisam nos ajudar a combater os pontos de narcotráfico que estão se instalando em algumas regiões do Estado. Sozinhos, não temos como controlar, não há recursos", disse Cassol.

O governador também fez um alerta sobre a atuação de garimpeiros que agem ilegalmente dentro da reserva indígena Roosevelt.

O superintendente em exercício da Polícia Federal em Rondônia, Antônio Patrioça, afirmou que está trabalhando para reprimir o narcotráfico.

Segundo ele, neste ano foram presos 24 acusados de tráfico e apreendidos cerca de cem quilos de cocaína.

"É impossível darmos conta de controlar e dominar uma fronteira de 1.342 quilômetros [com a Bolívia] com os recursos que temos. Mas estamos trabalhando, e muito. A Polícia Federal tem várias frentes de investigação sobre quadrilhas que atuam em Rondônia. Com uma fronteira desse tamanho, na selva, desguarnecida, não tem jeito de evitar, mas temos feito muito em todas as frentes. Não nos falta vontade de agir."

Patrioça disse ainda que desconhece que grupos de narcotraficantes tenham domínio sobre porções do Estado. "Se o governador tem essas informações, ele precisa passar para a gente."

Outro entrave tratado pelo governador Cassol foram aos conflitos no campo, que têm gerado mortes na zona rural (foram cinco na semana passada na região de Buritis). Ele disse que o problema tem relação com o que chamou de "lentidão" do Incra e falta de ação de alguns ministérios.

"Estamos tentando sanar os conflitos de terra com uma força-tarefa que está trabalhando. Mas há muita lentidão do Incra em assentar. É muita reunião para pouca ação. Isso cria um clima de revolta, de insatisfação na população. Sem rapidez fica impossível evitar os problemas. Mas na região de Buritis nossa polícia atuou e já está restabelecida da paz."

Cassol declarou que o Ministério do Meio Ambiente não aceita a exploração, sobretudo de madeira, em porções do Estado chamadas de zonas socioeconômicas, o que agrava a crise no campo: "O Ministério do Meio Ambiente não aceitou o nosso zoneamento socioeconômico [que determina áreas que poderiam ser exploradas], o que inviabiliza o trabalho do homem do campo e contribui com a violência. Gastamos R$ 27 milhões nesse projeto de zoneamento, mas o ministério não aceitou". Segundo o governador, "todos os órgãos federais competentes" foram avisados de que a situação no campo é crítica.

Em fevereiro deste ano, o tucano chegou a pedir ao ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) uma "intervenção branca" no Estado, o que não chegou a acontecer, devido a sua dificuldade de se relacionar com a Assembléia Legislativa. Cassol disse que o episódio está superado, mas não descartou novos embates com o Legislativo. "Agora está tudo normal, tudo tranquilo. A relação com o Legislativo está à altura do nosso governo. Mas, se amanhã, de repente, eu precisar virar a mesa, eu viro, mas quero uma relação correta com os Poderes."

Sobre a invasão de um conjunto de prédios inacabados em Porto Velho, nesta semana, ele culpou o governo federal: "O governo federal precisa parar de fazer audiência, de fazer seminário e começar a agir. O prédio está quase concluído, mas não terminam nunca a obra, o povo não aguenta".
 

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