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30/06/2004 - 19h24

Com o PMDB, Erundina elogia Quércia e diz que eleição começa agora

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SILVIO NAVARRO
da Folha Online

Em discurso que oficializou a coligação com o PMDB para disputar a Prefeitura de São Paulo, na sede do Diretório Estadual do partido, a deputada federal Luiza Erundina (PSB) afirmou que "se sentiu em casa", elogiou o ex-governador Orestes Quércia e prometeu "nunca trair a confiança" dos peemedebistas.

Na tarde desta quarta-feira, último dia do prazo determinado pela Justiça Eleitoral para os partidos anunciarem as coligações, Quércia confirmou a aliança com a ex-prefeita, em um acordo que prevê apoio do PSB ao candidato do PMDB nas eleições de 2006.

O deputado federal Michel Temer, presidente nacional do PMDB e ex-presidente da Câmara dos Deputados, retirou sua candidatura para concorrer como vice de Erundina. A chapa, que terá ainda a presença do PMN, terá cerca de dez minutos na TV --contabilizando os 20 minutos dividos igualitariamente entre todos os candidatos.

"Quando fui entrando aqui [sede do Diretório do PMDB], me senti identificada, me senti entrando em casa. E digo isso sem demagogia de candidata. Encontrei antigos companheiros de luta, da luta das mulheres, da Câmara Municipal", declarou a ex-prefeita Erundina (1989-92), após dizer ter admiração por Quércia e Temer.

Em seguida, ela também elogiou o ex-deputado do PMDB Ulysses Guimarães (1916-1992). "Ele [Ulysses] está abençoando, consagrando esse gesto ousado". Quércia a interrompeu e lembrou que a sala na qual faziam o anúncio era batizada com o nome do ex-deputado.

Recado

Principal articulador da união, Quércia terminou o encontro com um recado à prefeita Marta Suplicy (PT), candidata à reeleição. Disse, sorrindo, que Erundina "tinha toda a confiança do PMDB", em alusão à frase dita pela prefeita no programa "Roda Viva", da TV Cultura, na última segunda-feira. Na ocasião, ela afirmou que "não teria confiança em um vice do PMDB".

O PT chegou a nomear cargos na administração municipal em troca de votos de delegados peemedebistas na convenção. Irritado, Quércia fez a intervenção e dissolveu o Diretório Municipal da sigla, à época presidido pelo vereador Milton Leite. O ex-governador exigia indicar o vice de Marta.

Hoje, Erundina atacou a petista, afirmando que a gestão "não era democrática nem boa para a cidade". Também citou a prefeita ao criticar os "três primeiros nas pesquisas [José Serra, Paulo Maluf e Marta, respectivamente]", que, segundo ela, "fugiram do debate", agendado para amanhã, na Rede Globo.

Chapa

O acordo entre PMDB e PSB, costurado por Quércia ao longo de um mês, chegou a ficar ameaçado pouco antes do anúncio oficial, porque o PSB resistia à coligação na chapa proporcional, a que escolherá os vereadores. Defendia apenas a união na majoritária.

O impasse foi resolvido por Erundina, que cedeu aos peemedebistas. Cada sigla indicará 39 parlamentares para concorrer às 55 cadeiras da Câmara Municipal. O PMDB tem cinco vereadores na atual legislatura.

No pronunciamento, Erundina mandou um recado aos vereadores e candidatos à Câmara do PSB. Afirmou que "política se faz com mais de um lado", que seu partido era "limitado" e tem dificuldades para se firmar na luta política em São Paulo. Chegou a usar a expressão "pequenez", mas em seguida recuou, dizendo não ser um bom termo.

Temer

A homologação da candidatura de Temer ocorreu no último dia 20, por uma comissão provisória, que preside o Diretório Municipal. Hoje, ao confirmar que concorrerá como vice, Temer disse que dava uma demonstração de "humildade política" e que a decisão foi motivada por "consenso partidário".

"Estamos numa empreitada e nessa empreitada não vale a pessoa, mas a conjugação de esforços. Estou do lado da ética, do social e da competência", disse. Erundina afirmou se tratar de "uma lição para o Brasil". "Não é comum que uma liderança como ele, um articulador respeitado, se dispor a uma condição que não diria ser inferior, mas que está muito aquém do que ele é."

A decisão de Temer foi motivada pelos sucessivos fracassos nas sondagens eleitorais. Pesquisa Datafolha de sábado apontava que o peemedebista tinha 1% das intenções de voto. Outro levantamento, realizado pelo Ibope, mostrou índice similar.

De acordo com o Datafolha, Erundina aparece em quarto lugar na corrida pela prefeitura, atrás do tucano José Serra (30%); de Paulo Maluf (PP), com 24%; e Marta, com 20%. Erundina oscilou negativamente, de 11% para 8%, nas pesquisas de maio para junho. No Ibope, a ex-prefeita tem 9%.

Plano de governo

O próprio ex-governador Orestes Quércia enumerou nesta tarde os "eixos programáticos" da proposta de governo da chapa. A lista determina prioridades em oito áreas:

1) Criação e expansão de postos de trabalho; 2) Transparência na administração (em concursos, concorrências e licitações), com exposição on-line das contas públicas; 3) Justiça tributária --dar um basta na política de onerar a população e o sistema produtivo; 4) Segurança Pública --integração com o governo estadual e iniciativa privada; 5) Consolidar o SUS (Sistema Único de Saúde) e expandir o programa Saúde da Família; 6) Acesso à educação; 7) Descentralização administrativa --autonomia às subprefeituras; 8) Valorização dos servidores públicos.

Leia mais
  • Temer desiste de candidatura em SP para ser vice de Erundina

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