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05/07/2005 - 09h02

BB emprestou R$ 20 mi ao PT em dois anos de governo

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da Folha de S.Paulo

Nos dois primeiros anos do governo Luiz Inácio Lula da Silva, o diretório nacional do PT obteve R$ 28 milhões em empréstimos de três bancos diferentes: Banco do Brasil, Banco Rural e BMG.

A maior fonte de financiamento bancário do partido nesses dois anos foi o Banco do Brasil, que permitiu, por meio de três contratos de leasing, a informatização dos diretórios petistas no país, com a compra de 5.000 computadores e 5.000 impressoras com copiadoras, fax e scanners.

Procurado ontem pela Folha, o Banco do Brasil se recusou a divulgar as garantias, os avalistas, as taxas de juros e quaisquer outros dados sobre os contratos, além de se negar a explicar se as parcelas estão sendo pagas em dia pelo PT. O banco também não informou se outros partidos políticos receberam empréstimos semelhantes e em que condições. A assessoria do BB alegou "sigilo bancário".

Segundo a revista "Veja" o avalista do contrato com o banco BMG foi o publicitário Marcos Valério Fernandes de Souza, cuja agência detém parte dos contratos de propaganda do BB. O publicitário também pagou uma parcela do empréstimo, de acordo com a revista.

Déficit

O relatório da prestação de contas do Diretório Nacional do PT de 2004 registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e assinado pelo presidente da sigla, José Genoino, e pelo tesoureiro, Delúbio Soares, mostra que a decisão de contrair os seis empréstimos causou enorme déficit nas finanças do partido.

O patrimônio líquido da sigla, em 31 de dezembro de 2004, foi de R$ 24 milhões negativos. Isso significa dizer que, se o PT vendesse todos os seus ativos e recebesse todos os créditos ainda ficaria sem condições de cobrir o rombo.

O primeiro empréstimo contraído pelo PT na era Lula foi com o BMG, no valor de R$ 2,4 milhões, em fevereiro de 2003. Entre fevereiro e abril de 2004, o PT assinou três contratos de leasing com o BB, que somavam R$ 17,1 milhões em dezembro de 2004.

Em dezembro do ano passado, o partido obteve os dois últimos empréstimos registrados no TSE: um no Banco Rural, de Minas Gerais, no valor de R$ 5,1 milhões, e outro no Banco do Brasil, de R$ 3,5 milhões.

A Folha apurou que três contratos de leasing do PT com o Banco do Brasil foram assinados por Delúbio Soares e José Genoino e não tiveram avalistas. As garantias não teriam sido bens imóveis, mas a própria arrecadação do partido.

Os três empréstimos ainda não foram integralmente quitados. No ano passado, foram alvo de um processo aberto no TCU (Tribunal de Contas da União) a partir de uma representação do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM). A apuração do TCU concentrou-se na taxa de juros. O senador queria saber se era compatível com a de mercado.

Os auditores, sem os dados de outras instituições, só puderam compará-las com as taxas do próprio banco. Como não constataram vantagem para o PT, o processo foi para o arquivo em abril deste ano.

Procurada ontem, a assessoria do Diretório Nacional do PT informou que o partido só vai se manifestar quando concluir "uma pesquisa nos anos de 2003 e 2004 na contabilidade do PT".

Especial
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