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19/09/2005 - 09h47

Severino prepara discurso para renunciar na quarta

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FERNANDO RODRIGUES
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Acusado de receber propina e com sua cassação iminente, o presidente da Câmara, Severino Cavalcanti (PP-PE), passou o dia ontem reunido com assessores e correligionários fazendo anotações para seu discurso de renúncia ao mandato, na quarta. A decisão de renunciar já foi tomada.

O político pernambucano disse ontem a vários correligionários que pretende disputar a eleição de 2006 e espera voltar a ser deputado federal em 2007. Severino dá como certa a sua cassação agora se ficar no cargo. Por isso, renunciará para não ficar inelegível --quem é cassado fica banido da vida política por oito anos. No discurso de quarta, vai se dizer perseguido politicamente.

O texto do discurso será redigido por seus assessores. Vários estiveram ontem durante todo o dia na residência da presidência da Câmara. Severino deve fazer uma recapitulação de toda a sua trajetória política, iniciada há 42 anos. Também dedicará um trecho de sua fala a refutar a acusação de que recebia propinas de um empresário do ramo de restaurantes.

Embora já tenha se decidido pela renúncia, para efeito externo o presidente da Câmara continuará dizendo que reflete sobre qual é o melhor caminho a ser tomado.

Severino deve se reunir hoje com o presidente Lula. Nessa conversa, ele deve pedir a Lula que mantenha no cargo o ministro Márcio Fortes (Cidades), sua indicação na cota do PP. Severino quer manter ainda seu filho José Maurício na Delegacia Regional de Agricultura, em Pernambuco.

Marcos Vasconcelos, assessor jurídico da Câmara, disse ontem que será fácil inocentar o deputado na Justiça da acusação de que recebia "mensalinho". Não haveria, porém, tempo hábil para defesa política na Casa. Na sexta-feira, a Polícia Federal pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) uma investigação contra Severino.

Até o fim de semana, vários correligionários de Severino tinham-no aconselhado a fazer suspense sobre sua decisão. O deputado João Caldas (PL-AL) é um dos autores dessa estratégia frustrada.

Membro do chamado baixo clero da Câmara, Caldas tem incentivado Severino a pressionar o governo a oferecer alguma garantia de que não haverá perseguição depois da renúncia. Por essa razão, Caldas saiu em público nos últimos dias dizendo que ainda havia várias saídas em estudo --renunciar ao mandato, deixar apenas o cargo de presidente, pedir licença ou enfrentar um processo de cassação até o fim.

Caldas turbinou a versão de que Severino pretendia se licenciar do cargo porque essa seria a pior solução para o Planalto. O processo de cassação poderia demorar até três meses. Nesse período, a Câmara seria comandada pelo vice-presidente da Casa, José Thomaz Nonô, que é do PFL de Alagoas e ferrenho opositor de Lula.

O deputado Feu Rosa (PP-ES) quase desmontou em público a versão de Caldas. Rosa esteve ontem almoçando com Severino e acha que a licença está praticamente descartada: "A maior parte das pessoas [que têm conversado com Severino] acha que não é conveniente [a licença]. O presidente está ouvindo opiniões", disse. Ele também acredita, contudo, que Severino anunciará sua decisão publicamente só na quarta.

Questionado se o almoço era de despedida, Rosa afirmou: "É mais uma confraternização". Além dele e de Caldas, estiveram com Severino os deputados Ciro Nogueira (PP-PI), Pedro Corrêa (PP-PE) e Augusto Nardes (PP-RS).

Versão

Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) põem por terra a versão de que o cheque de R$ 7.500 do empresário Sebastião Buani foi destinado à campanha do filho do presidente da Câmara --Severino José Cavalcanti Júnior, morto em acidente de carro em agosto de 2002, quando era candidato a deputado estadual.

O cheque foi sacado pela secretária de Severino Gabriela Kênia da Silva Santos Martins em 30 de julho de 2002. A primeira doação de campanha, segundo o TSE, ocorreu em 8 de agosto e o doador é o próprio Severino José. Ele chegou a gastar apenas R$ 32,11.

O advogado de Severino, José Eduardo Alckmin, apresentou anteontem cópias de passagens aéreas na tentativa de comprovar que o cheque se destinava à campanha do filho de Severino. As cópias eram de bilhetes emitidos pela TAM em nome de José Cavalcanti Júnior de Recife para Brasília, em 30/7/2002, e no trecho inverso, no dia seguinte. As passagens foram retiradas da cota do gabinete de Severino, o que foi considerado "normal" pelo advogado. Para ele, a secretária prestou um favor ao sacar o cheque.

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