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14/07/2006 - 19h01

Parlamentares pressionam para paralisar trabalhos da CPI dos Sanguessugas

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ANDREZA MATAIS
da Folha Online, em Brasília

O comando da CPI dos Sanguessugas vem sendo pressionado a protelar as investigações. A intenção é evitar que os nomes de parlamentares envolvidos com a máfia das ambulâncias sejam preservados durante o processo eleitoral.

Há ainda quem se preocupe com a imagem da Câmara. Já desgastada com o escândalo do mensalão, dificilmente a Casa conseguiria dar uma resposta diferente com relação aos sanguessugas. Não haveria tempo para que os processos de cassação fossem concluídos ainda nesta Legislatura, o que passaria nova impressão de pizza. No episódio do mensalão, 11 dos 19 acusados foram absolvidos.

Um dos que levantam essa preocupação é o presidente da Casa, deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP). Nesta quinta-feira, Aldo chamou o presidente da CPI, deputado Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ), para uma conversa no seu gabinete que durou cerca de uma hora.

Interlocutores dos dois políticos revelaram à Folha Online que Aldo teria comentado na ocasião: "Não sei se vai dar tempo, veja bem!." O recado foi interpretado como um pedido para que a CPI tenha mais cautela, abrindo mão da pressa para concluir os trabalhos.

O presidente da Câmara nega o diálogo. Segundo a assessoria de Aldo, sua preocupação é apenas com o sigilo determinado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), que em duas ocasiões notificou a Câmara da necessidade de preservar os processos.

Alguns integrantes da CPI defendem que na primeira semana de agosto um relatório parcial seja divulgado com os nomes dos parlamentares que aceitaram receber propina em troca de apresentar emendas ao Orçamento da União para compra de ambulâncias.

Oficialmente a CPI só termina no dia 26 de dezembro, mas há um acordo para que os trabalhos sejam encerrados em 26 de agosto, quando completados 60 dias de investigação. O comando da CPI teria avisado a Aldo e outros que defendem a mesma tese que não há a menor hipótese de a comissão segurar os nomes dos envolvidos.

Biscaia só aguarda uma resposta da presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministra Ellen Gracie, sobre o sigilo para divulgar os nomes dos envolvidos. Parlamentares também estariam se queixando da atuação dos deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Fernando Gabeira (PV-RJ) na CPI. Os dois estariam fechando acordos com os responsáveis pelas investigações para receberem informações em primeira mão com o objetivo de divulgá-las para a imprensa.

Líderes partidários também estão sendo pressionados por deputados que são citados nas investigações a saírem em defesa deles. Todos se sentem prejudicados porque os nomes são divulgados sem que as denúncias sejam conhecidas.

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