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25/08/2006 - 21h04

Ex-ministro da Saúde diz que vai abrir sigilos bancário, fiscal e telefônico

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FÁBIO GUIBU
da Agência Folha, em Recife

O ex-ministro da Saúde e candidato do PT ao governo de Pernambuco, Humberto Costa, anunciou hoje em Recife ter sido indiciado pela Polícia Federal no escândalo dos vampiros, como ficou conhecido o esquema de fraudes em licitações no ministério para a compra superfaturada de hemoderivados, descoberto em 2004.

Costa disse que foi indiciado por supostos crimes de formação de quadrilha, corrupção passiva e fraude em licitação. O processo, afirmou, tem 42 indiciados e foi encaminhado ao Ministério Público Federal.

O ex-ministro classificou a decisão da PF de "surrealista" e declarou, sem citar nomes, estar sendo vítima de um "complô". Segundo ele, há interesses eleitorais no caso. "Entendo que tem, com toda a certeza, um objetivo político", disse. "Há poucos dias tentaram me envolver com essa máfia dos sanguessugas, mas quebraram a cara."

Em entrevista coletiva, Costa afirmou que seu indiciamento foi baseado no depoimento do lobista Laerte de Arruda Corrêa Júnior, que à época se apresentaria a empresas do setor farmacêutico como um homem com fortes ligações com o PT.

O lobista, segundo o ex-ministro, depôs novamente em julho passado, quando o teria então acusado de montar o esquema de fraude dentro do Ministério da Saúde. O objetivo seria arrecadar recursos para o PT. "Isso é altamente suspeito", disse Costa, sobre a acusação. "Faltando três meses para a eleição, esse cidadão dá esse depoimento."

Ainda segundo Costa, a acusação "não faz sentido" porque teria sido ele mesmo o autor da denúncia que levou a PF a investigar o caso. "Uma coisa que nenhum delegado, procurador ou juiz vai conseguir responder é como alguém que denuncia um esquema de corrupção pode ser integrante dessa máfia", afirmou. "Era preciso que eu fosse muito burro para mandar investigar uma quadrilha da qual eu mesmo faria parte."

Cercado pelas principais lideranças do PT e de partidos aliados no Estado em uma sala de seu comitê eleitoral, o ex-ministro chegou a dar socos na mesa para demonstrar sua irritação com a decisão da PF.

"Como é que alguém que se beneficia de um esquema desenvolve um processo de mudanças que levaram à redução dos preços?", perguntou. "A gordura que era apropriada pelos vampiros na compra de hemoderivados deixou de existir a partir do momento em que eu entrei no ministério", disse. "Pagava-se US$ 0,41 por frasco de hemoderivado. Hoje, um frasco é US$ 0,16. Que chefe de gangue é esse que destrói o próprio esquema?", questionou.

Segundo Costa, a decisão de anunciar o próprio indiciamento foi tomada para evitar a "exploração" do caso, com o vazamento das informações. "A maior prova de que não tenho nada a temer é que eu estou antecipando um fato negativo."

O ex-ministro declarou também que quer ser investigado. "Quero que a minha vida seja virada e revirada de cabeça para baixo", afirmou. "Serei inocentado, mas a gente sabe que o prejuízo político pode ser significativo", disse. "Passada a eleição e dizer que sou inocente não me interessa. Eu quero agora."

Na tentativa de agilizar a apuração, o petista autorizou a Justiça e o Ministério Público a quebrar os sigilos fiscal, telefônico e bancário dele e de sua família. "Quero que o Ministério Público e a Justiça façam uma devassa na minha vida. É isso o que eu quero", declarou.

A cúpula do PT já foi informada do caso. "Já conversei com o presidente do PT, Ricardo Berzoini, que mostrou sua total indignação com esse processo que está em curso", afirmou o ex-ministro. "O presidente Lula também já soube e, por intermédio do seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, manifestou a sua solidariedade também a mim, com a crença absoluta e total na minha inocência."

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