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31/08/2006 - 22h35

Ex-deputados sanguessugas são denunciados pelo MPF-MT

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FRANCISCO FIGUEIREDO
SÍLVIA FREIRE
da Agência Folha

O MPF (Ministério Público Federal) de Mato Grosso ofereceu hoje denúncia contra mais nove ex-deputados federais, 49 assessores e ex-assessores parlamentares e um servidor público do Ministério da Saúde por suposto envolvimento na máfia das sanguessugas. Entre os novos denunciados está o ex-deputado Emerson Kapaz (SP), que comunicou nesta semana seu desligamento da presidência do Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial).

Segundo um dos responsáveis pela denúncia, o procurador da República Paulo Gomes Ferreira Filho, a nova lista é fruto da continuação das investigações da Operação Sanguessuga. Em junho, o MPF do Mato Grosso denunciou 81 nomes. Iniciada no Estado, a investigação ganhou projeção nacional com a instalação da CPI no Congresso, que indicou o envolvimento de deputados e senadores que ainda exercem mandato.

O procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, já pediu a abertura de inquérito no STF contra 84 atuais congressistas.

Dos nove ex-deputados, ao menos quatro já apareciam em pedidos anteriores de investigação, divulgados pela própria CPI: Emerson Kapaz, Gessivaldo Isaías de Carvalho Silva, Matusael do Nascimento e Nair Maria Xavier Nunes de Oliveira Lobo.

José Aleksandro, candidato ao governo do Acre pelo Prona, foi citado em lista da Controladoria Geral da União como um dos deputados cujas emendas beneficiaram a máfia das ambulância. Ainda fazem parte da lista divulgada hoje Cleuber Brandão Carneiro, Eber Silva, Luís Eduardo Almeida de Oliveira e Paulo César Marques de Velasco.

De acordo com o procurador, a denúncia se baseia em informações do processo já em andamento na Justiça Federal de Mato Grosso e inclui dados bancários, fiscais e telefônicos obtidos sob sigilo. Formação de quadrilha, lavagem de dinheiro e corrupção passiva são os crimes pelos quais os 59 nomes estão sendo acusados. O procurador não descartou o oferecimento de novas denúncias com base nos documentos.

Outro lado

O advogado do ex-deputado Emerson Kapaz, Marcos Vinícius de Campos, disse hoje que ainda não teve acesso à denúncia e que desconhece seu teor.

"Com relação ao que Luiz Antonio Vedoin [dono da Planam, empresa pivô do esquema] falou, temos as inteiras condições de demonstrar a inocência de Kapaz. A única relação é um depósito", disse.

Em entrevista à Folha publicada na segunda-feira, Kapaz responsabilizou seu ex-chefe de gabinete por depósito de cerca de R$ 6.000 feito supostamente por uma empresa laranja da Planam na conta de sua ex-mulher.

Na mesma entrevista, Kapaz anunciou seu desligamento da presidência do Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial e sua retirada da vida pública.

O ex-deputado disse ainda que vai processar o empresário Luiz Antonio Vedoin pelas acusações feitas contra ele, as quais considera contraditórias.

O ex-deputado José Aleksandro da Silva, atual candidato ao governo do Acre pelo Prona, disse que apresentou quatro emendas para compra de unidades móveis de saúde para municípios de seu Estado, mas negou envolvimento em eventuais irregularidades na aquisição delas.

"Fiz as emendas e não é crime algum apresentá-las. Isso faz parte da atividade parlamentar. Agora, quem libera o dinheiro é o governo federal com as prefeituras. Eles que se entendam", disse Aleksandro.

Na casa do ex-deputado Cleuber Carneiro (PTB), em Januária (MG), a reportagem foi informada que ele estava em campanha a deputado federal no interior do Estado e não podia ser localizado.

Os ex-deputados Gessivaldo Isaías de Carvalho Silva (PI), Luís Eduardo Almeida de Oliveira (RJ), Nair Xavier Lobo (GO), Eber Silva (RJ), Matusael do Nascimento (RJ) e Paulo César Velasco (SP) não foram localizados.

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