Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
12/09/2006 - 20h04

Vedoin e genro de senadora se contradizem no Conselho de Ética

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A acareação entre as principais testemunhas no processo por quebra de decoro parlamentar da senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) não contribuiu para avanços nas investigações. O empresário Luiz Antonio Vedoin, sócio da Planam, e o genro da senadora, Paulo Roberto Ribeiro, apresentaram versões distintas ao Conselho de Ética do Senado sobre o suposto envolvimento de Serys na máfia das ambulâncias.

"Só com um detector de mentiras, porque as contradições são muitas e alguém está mentindo. Vamos ter que partir para provas materiais", disse o relator do processo, senador Paulo Octavio (PFL-DF).

O genro da senadora afirmou que recebeu apenas um cheque da Planam, no valor de R$ 37,2 mil, referente à venda de materiais hospitalares para a empresa --que comandava o esquema de compra superfaturada de ambulâncias por meio de emendas parlamentares. Vedoin disse que, se o cheque existiu, foi para o pagamento de propina-- e não a venda de material.

Paulo Roberto negou ter recebido R$ 35 mil, como denunciou Vedoin, como suposta propina que teria sido repassada à senadora para a apresentação de emendas parlamentares. Ele também negou ter participado do esquema de fraudes.

O empresário, no entanto, reiterou que pagou R$ 35 mil ao genro da senadora como adiantamento para a liberação de emendas à Planam. "Combinamos esse valor em comum acordo", disse Vedoin. Paulo Roberto rebateu a afirmação.

O genro do empresário Darci Vedoin, Ivo Spínola, que também participou da acareação, disse que presenciou a entrega do cheque a Paulo Roberto. "Ele recebeu o dinheiro em um envelope", disse.

Apesar de ter admitido o pagamento da propina, Vedoin isentou a senadora Serys das negociações. "Eu admito que estava correndo risco ao adiantar o dinheiro para o genro da senadora, porque ele não falava em nome dela. Eu corri muitos riscos nas negociações e perdi muito", afirmou Vedoin.

O genro da senadora também garantiu que não agiu a mando de Serys. "Eu nunca tratei de nenhum assunto da senadora Serys, muito menos teria recebido dinheiro em nome dela para a apresentação de emendas", disse.

Primeiro encontro

Além da contradição sobre os cheques, Paulo Roberto e Luiz Antonio Vedoin também divergiram sobre a data em que se encontraram pela primeira vez. Paulo Roberto garante que conheceu o empresário em 2003, no colégio em que os filhos dos dois estudavam, em Cuiabá (MT).

Vedoin apresentou ao Conselho de Ética cópia do histórico escolar do filho comprovando que ele se matriculou na escola somente em 2004. "Nos conhecemos no meu escritório da Planam, por intermédio de um amigo em comum, o Sérgio Lacerda", disse Vedoin.

Para o relator Paulo Octavio, as versões apresentadas pelas duas testemunhas são frágeis. "Um afirma que fez venda à Planam sem pegar nota fiscal ou mesmo um recibo. O Vedoin, ao mesmo tempo, diz que efetivou pagamento para a liberação de emenda sem ter a garantia de que o Paulo Roberto tinha vínculos com a senadora. Fica complicado para as duas partes", criticou.

O senador vai pedir a quebra dos sigilos bancário e telefônico de Paulo Roberto e Luiz Antonio Vedoin, além da cópia do cheque de R$ 37,2 mil. O genro de Serys alega que o cheque foi creditado em sua conta em um valor um pouco maior que R$ 37,2 mil. Vedoin nega que a quantia seja diferente. "Não existe cheque com centavos. Isso eu garanto. Se tiver um cheque em um valor que não seja inteiro, significa que eu estaria mentindo ao Conselho de Ética", disse Vedoin.

Leia mais
  • CPI dos Sanguessugas vai investigar mais três parlamentares
  • CPI dos Sanguessugas denuncia 72 parlamentares; veja lista
  • CPI dos Sanguessugas absolve 18 parlamentares

    Especial
  • Leia a cobertura completa sobre a máfia das ambulâncias
  •  

    Publicidade

    Publicidade

    Publicidade


     

    Voltar ao topo da página