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17/09/2006 - 21h48

Tucanos exploram caso dossiê e Lula chama oposionistas de aves "predadoras"

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da Folha Online
da Agência Folha

O caso da venda do suposto dossiê contra José Serra, candidato tucano ao governo de São Paulo, concentrou as atenções nas agendas de campanha no final de semana, o mais tenso desde que começou o horário eleitoral gratuito na televisão. O candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, acusou os petistas de utilizarem 'dinheiro do submundo do crime' para comprar o dossiê. Ele fez comício em Taguatinga, cidade satélite a 20 Km de Brasília.

Em comício em Belém, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do PT à reeleição, chamou os tucanos de aves "predadoras" e disse que seus adversários estão "nervosos" com seu desempenho nas pesquisas. "Não sou especialista em tucanos, mas lá na Granja do Torto tem um pequeno parque. De vez em quando um pequeno grupo de tucanos sai do Parque Nacional e pára na Granja do Torto. Sabe para quê? Param para comer os ovos e os filhotes dos passarinhos nos ninhos. São predadores, apesar daquela beleza. E o que fizeram ao Brasil foi exatamente isso. Analisem o resultado, qual foi o tratamento que a população pobre teve", disse.

Alckmin disse que a política não pode ser transformada numa ação criminosa. 'Estamos indo para trás nessa questão da ética. Primeiro R$ 11 milhões desapareceram da Secom (Secretaria de Comunicação do governo), depois surge a denúncia de R$ 56 milhões foram repassados do governo para ONGs ligadas ao PT e agora, dinheiro sujo, do submundo do crime, aparece ligado a petistas. Não é possível. Política não pode virar uma ação criminosa', disse.

Antes de Alckmin, o vice na chapa do tucano, senador José Jorge (PFL), questionou, em discurso no comício, se o dinheiro não veio do PCC (facção criminosa de São Paulo). 'De onde será que saiu o dinheiro? Ninguém sabe de onde veio, será que veio do PCC? A cada dia nesse governo se conta uma mentira, uma história diferente', afirmou.

Ainda sobre o assunto, o candidato José Serra disse que é 'lamentável' que o dinheiro apreendido pela Polícia Federal --R$ 1,7 milhão-- não tenha sido liberado para imagem e os 'criminosos não tenham sido apresentados'. 'É preciso saber de onde veio o dinheiro e quem está por trás disso. Por enquanto só pegaram bagrinho, precisa saber quem são os peixes grandes', disse.

Lula

Em Belém, Lula ressaltou as diferenças entre o governo atual e o anterior, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Segundo Lula, 'muita coisa mudou de um governo para o outro, principalmente as prioridades': 'Eles [o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso] não olhavam para o povo. Nós fizemos do desenvolvimento econômico com distribuição de renda e inclusão social a nossa principal prioridade', disse Lula.

O presidente também acusou os adversários de terem dificuldade para assimilar o processo de mudanças iniciado em sua gestão. 'A oposição tem uma grande dificuldade para assimilar o processo de mudanças que fez o povo resgatar a sua auto-estima, fez o povo saber que um operário pode governar tão bem quanto um doutor ou um empresário'.

Quanto às comparações que incomodam seus rivais, Lula voltou a repetir as informações de que enquanto o governo FHC gerou 8.000 empregos por mês, no dele, são 103.000.

'A economia brasileira era fraca, frágil. Hoje, está forte. A qualidade de vida e o poder de compra do povo melhoraram', completou.

Heloísa Helena

A candidata do PSOL à Presidência da República, Heloísa Helena, classificou o PT de "organização criminosa" a participação de integrantes do partido na compra de um dossiê contra candidatos tucanos. "Sei que existem militantes, dirigentes e parlamentares do PT que são honestos, mas infelizmente a cúpula palaciana do partido, em conluio com o governo Lula, está virando uma organização criminosa capaz de qualquer coisa para liqüidar quem pela frente passe ameaçando seu projeto de poder."

Em Brasília, Heloísa afirmou estar triste por ver o partido onde militou na juventude envolvido em irregularidades, mas disse não estar surpresa. Antes, em Goiânia, ela dissera que o "dinheiro sem origem" de escândalos envolvendo o PT pode ter relação com "narcotráfico e o crime organizado". E voltou a atacar Lula.

"Se o presidente da República não estivesse envolvido diretamente em toda essa bandalheira e patifaria política, ele teria investigado primeiro os dólares nas peças íntimas do vestuário masculino de um dirigente petista. Dinheiro sem origem, seja real ou dólar, só o narcotráfico e o crime organizado é que têm", disse ela, em alusão à prisão de um assessor do deputado estadual cearense José Nobre Guimarães (PT), irmão do ex-presidente nacional do PT José Genoino.

Questionada se dizia que o presidente tem relações com o crime organizado, Heloísa respondeu: "É preciso investigar. Se não investigar, fica sob suspeita". A seguir, ela criticou a atitude de Lula em relação aos acusados de corrupção.

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