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20/09/2006 - 10h14

Rede ligada a amigo de Lula ganha 21 vezes mais na atual gestão

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LETÍCIA SANDER
FÁBIO ZANINI
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Em pouco mais de três anos de administração petista, a rede Unitrabalho recebeu 21 vezes mais do governo federal do que durante os sete anos em que atuou no governo Fernando Henrique Cardoso. A fundação tem entre seus colaboradores o petista Jorge Lorenzetti, apontado como intermediário da negociação do dossiê.

De 1996 a 2002, no governo FHC, a fundação recebeu um montante de R$ 840,5 mil. De 2003 até este ano, a Unitrabalho recebeu através de convênios R$ 18,5 milhões dos cofres públicos, segundo o site Contas Abertas. A maior parte destes convênios foi firmada com o Ministério do Trabalho. Num só dia da semana passada, o governo pagou R$ 4,1 milhões.

Lorenzetti é considerado o homem de confiança do presidente para cuidar da campanha à reeleição em Santa Catarina. É amigo de Lula há pelo menos cinco anos e ocupou a diretoria de Administração do Besc (Banco do Estado de Santa Catarina) desde março de 2005.

Na Unitrabalho, chegou a ocupar o cargo de "representante nacional" da organização. Lorenzetti representou a fundação em encontros com prefeitos e em seminários nacionais. Em novembro de 2004, concedeu uma entrevista à Fundação Banco do Brasil como "coordenador da Rede Unitrabalho". Na entrevista, contou estar envolvido na criação de um fundo para empreendimentos solidários que seria gerenciado tanto pela Fundação Banco do Brasil quanto pela Unitrabalho, a partir de 2005.

A assessoria do Besc confirmou ontem à Folha a ligação de Lorenzetti com a Unitrabalho, pelo menos até março de 2005. Atualmente Lorenzetti não consta na lista oficial de diretores e coordenadores da fundação. A Folha entrou em contato com a Unitrabalho, mas funcionários não souberam responder sobre o papel de Lorenzetti na fundação.

A Unitrabalho é uma rede universitária que agrega 92 universidades e instituições de ensino superior públicas e privadas do Brasil. Um dos convênios firmados com o Ministério do Trabalho em 2005, no valor de R$ 6,8 milhões, se refere à "execução de atividades inerentes à implementação do projeto de avaliação do Plano Nacional de Qualificação do Ministério do Trabalho".

Outro convênio, firmado em 2003, e para o qual já foram pagos R$ 2,5 milhões, tinha o objetivo de construir e implementar sistemas de planejamento, monitoramento e avaliação das ações de qualificação do ministério. A Folha procurou o Ministério do Trabalho mas, até a conclusão desta edição, não obteve retorno.

Lorenzetti integrava a direção de uma cooperativa de produção e beneficiamento de polpa de frutas em Benevides, na região metropolitana de Belém. Foi diretor Internacional da Amafrutas, que recebeu financiamento do Banco da Amazônia e apoio da Embrapa, no valor de R$ 20 milhões, para construir sua fábrica. A inauguração, em agosto de 2003, contou com a presença de Lula.

Outro lado

Funcionários da Unitrabalho procurados pela Folha ontem não souberam informar qual o papel de Jorge Lorenzetti na organização e argumentam que só o diretor-executivo, Nazem Nascimento, poderia prestar esclarecimentos. Nazem estaria viajando e, até o fechamento desta edição, não respondeu às ligações feitas pela reportagem.

Os funcionários da empresa não quiseram comentar convênios entre a fundação e o governo. Segundo eles, os convênios se referem a projetos comuns feitos dentro da normalidade.

A reportagem da Folha contatou o Ministério do Trabalho para saber detalhes, mas não obteve retorno do órgão até o fechamento desta edição.

Desde anteontem, Jorge Lorenzetti não responde a recados deixados nem em Brasília nem em sua residência localizada em Florianópolis (SC).

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