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10/03/2007 - 11h23

Laura Bush ouve poema, samba e história

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LAURA CAPRIGLIONE
da Folha de S.Paulo

Uma aula de mentirinha foi montada na manhã de ontem no Jardim Paulista, área nobre de São Paulo. O objetivo era mostrar para Laura Bush como funciona um dos mais bem-sucedidos programas mundiais de alfabetização, o Alfabetização Solidária (AlfaSol).

A atividade era parte da agenda oficial da primeira-dama americana na cidade. Professora e bibiliotecária por formação, Laura Bush quis conhecer, além do AlfaSol, outra ONG do campo educacional: a Associação Cidade Escola Aprendiz.

Terninho cinza com pespontos vermelhos, brincos vermelhos, colar de contas vermelhas, batom vermelho combinando, tudo arrematado por escarpins de couro pretos, Laura Bush chegou às 10h à AlfaSol.

Depois de conversar com a direção da ONG, a primeira-dama foi conduzida a uma sala, onde se encontrou com oito alfabetizados, todos na casa dos 50 anos, negros e pardos, oriundos de Estados nordestinos e de Minas Gerais, e com dois alfabetizadores, que simulariam uma aula do programa.

"Minha terra tem palmeiras, onde canta o sabiá. As aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá", a "Canção do Exílio", de Gonçalves Dias, foi lida em uníssono.

Fundado por Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o AlfaSol completou dez anos e soma 5,3 milhões de alunos atendidos em 2.088 cidades.

Os oito jornalistas que acompanhavam o roteiro da visita estavam proibidos de dirigir pergunta a Laura Bush.

Neusa Silva dos Santos, 53, baiana, vendedora de "comida afro-brasileira" em São Paulo, como se apresentou, contou que escreveu um livro ainda sem nome e atacou: "Eu gostaria muito que a senhora patrocinasse a publicação dele", pediu, séria. Traduzida a mensagem, a primeira-dama riu.

De lá, o comboio com duas limusines, vans, jipões, ônibus, carros da Polícia Federal e até uma ambulância, total de 15 veículos, saiu rumo ao bairro da Vila Madalena, onde fica o Aprendiz, ONG que aplica o conceito de educação comunitária. Chegou às 11h20.

Doze crianças com idades entre cinco e sete anos, uma vestida de médico, estetoscópio de brinquedo examinando uma boneca, outro com óculos de aros coloridos sem lente e capacete de operário, mais alguns brincando de casinha, foram apresentadas à primeira-dama. Estavam em um cercadinho, sob sol forte, quase a pino. A temperatura era de 34ºC.

Laura Bush sorriu para as crianças, conversou pouquinho. Não tocou em nenhuma. Gotinhas de suor porejavam no rosto da primeira-dama.

Ela foi então levada para o Café Aprendiz, do outro lado da rua cujo trânsito estava interrompido por homens da PM, da PF, do Exército, além dos armários do Serviço Secreto americano, terno e cabelo escovinha. Tinha também três grandalhões de cabelos mais compridos e sem gravata --eram mulheres.

O grupo de chorinho Coisa Linda de Deus, no meio do caminho, tocava "O Samba da Minha Terra", de Caymmi. Laura Bush foi em frente.

Ouviu a história da ex-menina de rua e ex-usuária de drogas Esmeralda Ortiz. Sete anos no Aprendiz, Esmeralda abandonou as drogas e as ruas, e se formou jornalista. No fim, a ex-menina de rua pediu a Laura Bush uma pós em antropologia nos Estados Unidos. A primeira-dama ficou de estudar.

Do outro lado da rua, o grupo de chorinho era entrevistado: Vocês apóiam a intervenção americana no Iraque? "Somos contra." Por que vocês não falaram isso para a primeira-dama? "E pode falar?", respondeu um jovem. E o grupo continuou a tocar. Às 12h, Laura Bush voltou ao hotel.

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