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23/10/2002 - 11h46

Urna com nome de Jesus causa controvérsia entre pesquisadores

da France Presse, em Washington

A inscrição em um antigo ossário, que pode ser a primeira indicação arqueológica da existência de Jesus, tem causado ceticismo entre diversos especialistas.

Os dizeres "Tiago, filho de José, irmão de Jesus" estão gravados em aramaico --língua próxima ao hebreu-- numa urna funerária de pedra encontrada em Jerusalém, datada do século 1º de nossa era, segundo o paleógrafo André Lemaire. Ele anunciou sua teoria na última edição da revista "Biblical Archeology Review".

Reprodução/BAR

A inscrição "Tiago, filho de José, irmão de Jesus"

"Queremos anunciar o primeiro testemunho arqueológico de Jesus", declarou à imprensa o editor da revista, Herschel Shanks.

A menção mais antiga de Jesus, evocado sobretudo pelo historiador romano Flavio Josefo, remontava até agora a um fragmento em grego do evangelho de São João, escrito em papiro por volta do ano 125.

Mas o próprio autor do estudo é menos categórico que o editor em relação à descoberta. Lemaire afirma que "não se pode estar 100% seguro" de que a inscrição se refira a Jesus de Nazaré e a Tiago.

Tiago foi o condutor da igreja judaico-cristã de Jerusalém e, segundo várias passagens da Bíblia, irmão de Jesus. Teria sido assassinado no ano 62.


O ossuário em que foram encontradas as inscrições

"A identificação se baseia num cálculo de probabilidades sobre os nomes próprios", explicou Lemaire, uma vez que os nomes Tiago, José e Jesus eram comuns em Jerusalém. Porém, a justaposição dos três nomes num ossário é pouco frequente.

Lemaire, professor da Escola Prática de Altos Estudos de Paris, baseia-se sobretudo "na raridade da menção de um irmão em um ossário", pelo que "é preciso que haja uma razão especial".

Mas historiadores e epígrafos expressaram dúvidas sobre a descoberta e sua interpretação, afirmando que Jesus era pouco conhecido na região até os anos 70, data na qual teria sido feita a inscrição. Segundo Lemaire, o tipo de escritura encontrado no cofre só foi utilizado entre os anos 10 e 70.

"Trata-se de uma extrapolação", destacou o abade Emile Puech, da Escola Bíblica e Arqueológica francesa de Jerusalém. A justaposição de três nomes é rara mas não única, nada prova que se trate de pessoas muito conhecidas a menos que Tiago seja o filho de José e Maria.

Outros especialistas lamentaram que o ossário, de 50 cm de comprimento, não tivesse sido extraído de um sítio arqueológico mas que foi apresentado por um colecionador que reside em Israel e que prefere não ter o nome divulgado.

"Poderia se tratar de algo verdadeiramente importante, mas nunca o saberemos com certeza", afirmou Kyle McCarter, professor da Johns Hopkins University (EUA). Acrescentou que "as dúvidas persistirão porque não conhecemos as circunstâncias da descoberta".

O anúncio talvez volte a abrir o debate entre os cristãos sobre a família de Jesus, pois a expressão "irmão" tem vários sentidos nas línguas semíticas.

André Lemaire recorda que a tradição protestante considera que Jesus tinha irmãos e irmãs, entre eles Tiago, da mesma mãe e do mesmo pai. Já a tradição ortodoxa considera Tiago um meio-irmão e os católicos preferem usar a palavra "primos".

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