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17/05/2003 - 11h52

Rio termina genoma de bactéria agrícola

RICARDO WESTIN
da Folha de S.Paulo, no Rio

De acordo com a tendência brasileira de empregar o sequenciamento do genoma (conjunto de todo o patrimônio genético de um ser vivo) para tentar beneficiar a agricultura, os pesquisadores do projeto Rio Gene anunciaram ontem que já mapearam 98,1% do conjunto de genes da bactéria Glucanocetobacter diazotrophicus, importante para a cultura da cana-de-açúcar.

Essa é a primeira vez que um genoma completo é sequenciado por laboratórios do Estado do Rio de Janeiro. É também o primeiro caso fora de São Paulo, Estado pioneiro no Brasil nesse tipo de pesquisa (outros genomas foram estudados em redes nacionais montadas pelo Ministério da Ciência e Tecnologia).

No caso pioneiro paulista, foram soletradas as "letras" químicas que compõem todos os genes da bactéria Xylella fastidiosa, causadora da doença do amarelinho nos laranjais.

Os cientistas apelidaram a Glucanocetobacter de "bactéria do bem", porque é usada para aumentar a produtividade de plantações, principalmente a cana-de-açúcar —cultura importante no norte fluminense. A bactéria transforma o nitrogênio num sal que, absorvido, estimula o crescimento da planta.

Conhecendo seus 4,3 milhões de "letras" (que os geneticistas designam pelo nome químico, "bases nitrogenadas"), os cientistas planejam descobrir uma forma de aumentar o rendimento da Glucanocetobacter. Assim, esperam que a agricultura brasileira diminua em até 70% o uso de fertilizantes nitrogenados, o que representaria uma economia de cerca de US$ 1,2 bilhão por ano.

Ao lado do fator econômico, uma das vantagens de substituir o papel do fertilizante pela ação da bactéria é a redução da poluição. O nitrogênio do fertilizante que não é consumido pelas plantas, além de contaminar solos e rios, é um dos responsáveis pelo aquecimento global terrestre e pelo fenômeno das chuvas ácidas.

O trabalho reuniu pesquisadores de sete instituições científicas do Rio, coordenadas pela Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia e pela Faperj (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro).

"Agora que já dispomos da tecnologia e do conhecimento, estamos capacitados a fazer novos sequenciamentos e com mais velocidade", disse o secretário de Ciência e Tecnologia do Estado do Rio, Fernando Peregrino.

Para realizar todo o trabalho de sequenciamento, que começou em abril de 2001, os pesquisadores contaram com uma verba de R$ 3,3 milhões. O sequenciamento do genoma da bactéria Glucanocetobacter deve ser finalizado até o fim do ano.

Peregrino afirmou que em junho serão anunciados os resultados iniciais da Rede Proteômica, o primeiro programa brasileiro que pretende desvendar a estrutura de proteínas de vírus e bactérias (estrutura que depende da sequência de aminoácidos na proteína, sequência essa especificada na de "letras" do DNA).

Segundo o secretário, o Rio de Janeiro largou na frente nesse tipo de trabalho porque, em vez de fazer licitação, congregou todos os institutos de pesquisa interessados —a exemplo do que aconteceu no Rio Gene.

A Faperj anunciou que deverá firmar um acordo com o Ministério da Ciência e Tecnologia para receber novos recursos para os projetos Rio Gene e Rede Proteômica.
 

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