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Brasília Online

27/01/2008

Para Lula, Cuba já faz rápida transição pós-Fidel

KENNEDY ALENCAR
Colunista da Folha Online

Da recente viagem a Cuba, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou com algumas impressões e uma certeza.

As impressões: Fidel Castro, 81 anos, não voltará mais ao poder na ilha, Raul Castro consolidou liderança com doença do irmão e será rápida a transição para maiores graus de liberdade política e abertura econômica.

A certeza: o Brasil e seus empresários devem aproveitar a boa relação que o país tem com o regime cubano para fazer investimentos na ilha e usar a proximidade dela com os EUA para aumentar o acesso ao mercado da maior economia capitalista.

Em conversas reservadas, Lula disse que esperava encontrar um Fidel mais alquebrado. Reuniu-se, segundo suas palavras, com um homem frágil fisicamente, mas muito lúcido. Lúcido a ponto de dar a entender que não voltará mais ao centro do poder cubano.

Mais: Raul Castro, historicamente visto como uma sombra sem o carisma de Fidel, pareceu, aos olhos de Lula, bastante senhor da situação. Até demonstrou um senso de humor que o brasileiro desconhecia. Aos 75 anos, Raul aparenta boa saúde.

Hugo Chávez, presidente da Venezuela, tem sido uma espécie de substituto da antiga União Soviética na relação com a administração cubana. O petróleo que fornece à ilha a preço camarada é indicativo disso.

No entanto, Lula avalia que a diversidade e a complexidade da economia do Brasil colocam o país em posição superior à da Venezuela para formar parceria econômica com a ilha caribenha.

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Barbeiragem

Quando transmitiu o poder ao irmão, em julho de 2006, Fidel teve um tumor extraído da região do abdômen. Tumor maligno, segundo fontes do governo brasileiro em Cuba. Houve complicações pós-cirurgia. E nova intervenção, desta vez não para tratar de um tumor, teve de ser feita, ainda de acordo com informações de petistas que têm acesso ao núcleo do poder cubano.

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Decisão tomada

Se tiver de editar um decreto presidencial para viabilizar a compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar), Lula não hesitará. No Palácio do Planalto, há duas interpretações jurídicas. Uma delas dá conta de que não seria necessária intervenção de Lula, mas apenas da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações). A outra exigiria decisão presidencial.

O Planalto, porém, adotará o caminho que der maior segurança jurídica ao negócio.

Eventuais acusações de que a ação de Lula tem relação com o patrocínio da antiga Telemar a uma empresa de um filho serão tratadas da seguinte forma pelo presidente: quem tiver alguma acusação pode encaminhá-la à Justiça, à polícia ou ao Congresso.

Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite.

E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

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