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Brasília Online

14/12/2008

Serra, Aécio e Dilma batalham pelo PMDB

KENNEDY ALENCAR
colunista da Folha Online

Três possíveis candidatos a presidente têm lutado para atrair o PMDB para seus projetos políticos. São eles: a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os governadores tucanos José Serra (São Paulo) e Aécio Neves (Minas Gerais).

Maior partido na Câmara e no Senado, o PMDB é fundamental para a governabilidade dos presidentes da República no Congresso. Sem falar no valioso tempo de TV na propaganda eleitoral e na grande penetração nas pequenas e médias cidades. Ou seja, é um parceiro que fortalece muito o candidato à presidente.

Serra entrou de cabeça na eleição do deputado federal Michel Temer, presidente do PMDB, para comandar a Câmara dos Deputados. Temer é aliado do governo federal. Por que Serra se empenha tanto por ele?

Porque tem esperança de, no mínimo, inviabilizar uma aliança formal do PMDB com Dilma, projeto arquitetado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para vitaminar sua candidata. Serra atuou para que o PSDB e DEM fechassem apoio a Temer. As eleições para as presidências da Câmara e do Senado estão marcadas para fevereiro próximo. No melhor cenário para Serra, Temer o ajudaria a fechar uma aliança formal em 2010.

Para ajudar Temer, Serra estava dando uma força para a candidatura do petista Tião Viana (AC) na disputa pelo comando do Senado. A eleição de Viana facilita a de Temer, porque joga água no moinho de um acordo PT-PMDB para que haja rodízio no comando da Câmara. Como agora o PT dirige a Casa, o PMDB assumiria o posto na próxima rodada.

Tudo ia bem para Tião, mas entrou um novo fator na eleição para o Senado. Um grupo está querendo que o governo Lula pague desde já a fatura do eventual apoio a Dilma. Essa ala, comandada pelo senador Renan Calheiros (AL), que renunciou à presidência do Senado, tenta viabilizar um candidato do PMDB. Renan insiste no nome do ex-presidente e senador José Sarney (AP). Por ora, Sarney continua a resistir, apesar de ter dado uma fraquejada recentemente.

O movimento do PMDB no Senado inibiu um pouco a ação de Serra a favor de Tião. O governador paulista vê uma oportunidade de apoiar Sarney e tentar estabelecer uma relação amistosa. Na eleição presidencial de 2002, quando uma operação da Polícia Federal dinamitou a candidatura da filha de Sarney, Roseana, o pai viu dedo de Serra na jogada. Serra nega até hoje, mas Sarney não acredita.

Os aliados de Dilma estão atentos às atitudes de Renan e de Serra. Para Lula, o melhor seria Temer na Câmara e Tião no Senado. Mas o presidente não vetaria uma candidatura de Sarney. Se essa postulação se confirmar, haverá confusão da grossa no Senado.

Dilma não quer melindrar as alas do PMDB. Sabe que o partido tem vocação para se dividir na hora H. E vê com desconfiança um acerto tão prematuro. A eleição presidencial acontecerá daqui a dois anos. Mas ela é adorada por Sarney, com quem troca elogios públicos. Para Dilma, é melhor ir costurando o apoio do PMDB aos poucos e a cada dia. Descuidar do partido será um risco.

E Aécio nessa história? Aécio é o candidato dos sonhos do PMDB, de Temer a Sarney. Se o governador de Minas ousasse deixar o PSDB pelo PMDB frustraria os planos de Serra e Dilma. Por ora, Aécio segue firme no PSDB.

No entanto, a mais recente pesquisa Datafolha trouxe uma boa e uma má notícia para ele. A boa: entre o final de março e o final de novembro, ele cresceu 13 pontos percentuais. Teve o maior salto entre todos os possíveis candidatos no período, passando de 4% para 17%.

A má notícia é a liderança de Serra em todos os cenários, com 41% de intenção de voto. Com esse desempenho, o paulista tenta transformar a candidatura em fato consumado. Mas Aécio dá sinais de que não vai deixar barato. E, se pegar embalo nas pesquisas, o PMDB está bem alia, disposto a filiá-lo e lançá-lo à presidência.

*

Em tempo

De acordo com o Datafolha, Dilma subiu cinco pontos percentuais entre o final de março e o final de novembro. Nesse período, o deputado federal Ciro Gomes (PSB) perdeu de cinco a seis pontos, a depender do cenário.

Um grande obstáculo para Dilma era a larga vantagem de Ciro entre os candidatos do campo lulista. No final de março, ele tinha 17 pontos percentuais. A ministra obtivera parcos 3%. E o deputado, 20%. De março a novembro, a vantagem caiu para 7 pontos --15% para Ciro contra 8% de Dilma.

O avanço de Dilma e o retrocesso de Ciro alimentaram no Palácio do Planalto a avaliação de que a ministra poderá crescer ao longo de 2009, empatando ou superando o deputado federal. Se esse cenário se confirmar, Dilma teria argumento para se apresentar como cabeça de chapa.

Agora, o PSB tenta reanimar a candidatura do deputado federal, que andou sumido e perdeu pontos. Mas, em entrevista à Folha em fevereiro, Ciro admitiu a possibilidade ser vice numa chapa do campo lulista.

Kennedy Alencar, 42, colunista da Folha Online e repórter especial da Folha em Brasília. Escreve para Pensata às sextas e para a coluna Brasília Online, sobre bastidores do poder, aos domingos. É comentarista do telejornal "RedeTVNews", de segunda a sábado às 21h10, e apresentador do programa de entrevistas "É Notícia", aos domingos à meia-noite.

E-mail: kennedy.alencar@grupofolha.com.br

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