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05/03/2008

Há um gay no útero

SÉRGIO RIPARDO
Editor de Ilustrada da Folha Online

"Quero levar uma vida normal, ter família, mulher, filhos, ser respeitado pelos amigos, pelos colegas do trabalho, pela sociedade. Quero deixar de sentir esse estranho desejo, essa atração por homens, toda vez que entro no banheiro do shopping, do clube, da academia. Preciso me livrar dessa mania de flagrar meus amigos nus, de querer tocar e transar com eles."

Divulgação
"Há um gay no útero", diz a psicoterapeura Maura de Albanesi
"Há um gay no útero", diz a psicoterapeura Maura de Albanesi

É o que a psicoterapeuta Maura de Albanesi costuma ouvir de pacientes gays. "No primeiro momento, eles não se aceitam, pois se consideram fora do padrão imposto pela sociedade. Isso causa muito sofrimento."

Com 15 anos de atendimento, ela já ouviu esse drama de adolescentes a quarentões. "Um rapaz de 45 anos, com oito anos de namoro com uma mulher, veio ao consultório por sugestão da tia. Ela achava que ele precisava de ajuda para se aceitar."

Mas existem outras expectativas: "Eles querem que eu os transforme em heterossexuais."

Os pacientes também chegam ao divã com teorias sobre a homossexualidade. "É comum culpar um trauma sexual na infância, um problema com o pai ou com a mãe, uma criação com maior influência feminina. Só que isso não explica, pois há também heterossexuais que passaram por isso. Ninguém vira homossexual. Não é uma opção. Há um gay no útero. A pessoa nasce assim. A diversidade humana é imensa", diz a psicoterapeuta.

Reprodução
Cenas do clipe "Nature is Ancient", de Bjork, mostram o desenvolvimento de um feto
Cena do clipe "Nature is Ancient", de Bjork, mostra formação de bebê; para terapeuta, ser gay não é uma opção

Folha Online- A sra. atende pacientes héteros com dúvidas se são gays?

Maura de Albanesi- Sim. Há muitos casos de falta de identidade sexual. Isso ocorre no aflorar de todos os hormônios, na adolescência, na fase de descobertas, quando se sente algum tipo de atração por pessoas do mesmo sexo. Só que o paciente vai falando de suas experiências e fica claro que ele não é homossexual. Mas há ainda os casos de bissexualidade.

Folha Online- A sra. também atende gays desencanados, já fora do armário, sem problemas de aceitação?

Maura- Há uma fala típica de pacientes gays bem resolvidos: "Olá, doutora, sou homossexual, mas isso não é uma problema para mim". Essa atitude tem sido freqüente, mas mostra que ainda existe, entre os gays, uma preocupação muito grande com a sociedade, um mecanismo de defesa, pois não chega nenhum hétero se apresentando assim.

Folha Online- Há gays que preferem terapeutas homossexuais, pois acham que eles conseguem entender melhor suas questões do que os héteros. O que a sra. acha disso?

Maura- Ser gay ou hétero não qualifica mais ou menos um terapeuta. É claro que isso depende do paciente. Ele pode se sentir mais confortável falando com um terapeuta gay. Já tive um paciente que se consultou por três meses e sumiu. Tempo depois, ele voltou e confessou que, na verdade, gostava de homens, apesar de ser casado e que esse envolvimento paralelo estava prejudicando seu casamento. Talvez, com um terapeuta gay, ele não tivesse demorado tanto a tocar no assunto.

Folha Online- Gays reclamam muito do tamanho do próprio pênis?

Maura- Os homens héteros tocam mais nesse assunto, em questões sobre impotência. Já a beleza é um problema maior para os gays. Eles querem se sentir belos. Um homossexual que é feio acha que ninguém vai gostar dele. Atendi um rapaz lindíssimo, mas com muitas espinhas no rosto. Isso o deprimia muito, ele não conseguia se relacionar, pois se sentia feio.

Folha Online- E o que os casais gays andam falando na terapia?

Maura- Os conflitos dos casais gays são semelhantes aos dos héteros: crises de ciúmes e as tentativas de um parceiro dominar o outro. As queixas são sobre quem trabalha mais, quem não é valorizado na relação, quem cuida mais da casa, quem não respeita o espaço do outro. É incrível como os papéis de homem e mulher acabam se reproduzindo também no relacionamento gay.

Rapi10

1- O jornalista Renato Andrade (conhecido como Renateeenho na blogosfera gay) pariu um novo site. É o NitroG (www.nitrog.com.br) com foco no entretenimento GLS.

2- Gretchen, mãe da futura candidata lésbica a vereadora Thammy, vai comemorar 30 anos de carreira na festa Trash 80's, na Vila Olímpia, no próximo dia 15 de março.

3- Nesta sexta (7), a festa Freak Chic no D'Edge terá os DJs Leiloca Pantoja, Marcos Morcerf e Luiz Pareto. R$ 35 e R$ 30 (com flyer)

4- No dia 11, em Ribeirão Preto (SP), será lançado o livro "Adoção de Quatro Irmãos", do casal gay Torres e John. Será, às 20h, na livraria Paraler, no Ribeirão Shopping.

5- No sábado (8), a cantora Maya e o DJ Yinon Yahel, ambos israelenses, tocam na boate Flexx. R$ 35 (compra antecipada ou lista) e R$ 60 (na porta).

6- No domingo (9), está prevista pool party, a partir das 13h, no sítio Uirapuru, em Ribeirão Preto. Tocam Will Beats, João Paulo Muniz, Edu K e Carlinhos. Site: indexpoolparty.com.br

7- Em Brasília, neste sábado (8), a Festa da Lili faz homenagem ao Dia da Mulher, no Clube da Imprensa, a partir das 23h. R$ 20 (antecipado), R$ 25 (até 1h) e R$ 30 (após 1h).

8- Em Campinas (SP), no Cambuí (av. João Mendes Junior, 278), o Divino Lounge escalou dois DJs: Teo Brasil nesta sexta (22h) e domingo (21h), e Renan Petrecca no sábado (22h).

9- Revista "Odyssey" lança nova edição no clube Ultra Diesel nesta sexta (7). Com um agasalho ou 1 kg de alimento, entra-se vip. Doações vão para crianças carentes.

10- "Silêncio na casa, ressoa a descarga. Amor incondicional. Aceita aberta o meu pior. Cuspe..." Poema de Gustavo Vinagre na Woof Magazine (www.woofmagazine.net).

Podcast

Ouça podcast com o advogado Thiago Magalhães, dono do blog Introspecthive. Ele fala sobre noite gay em São Paulo e dá dicas de lazer para o público GLS.

Ouça podcast com o advogado Thiago Magalhães, dono do blog

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