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Regra 10

09/11/2007

Fait-divers: jogador mata empresário no Paraguai

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Fait-divers é um termo usado no jargão jornalístico para designar notícias diversas, geralmente com um toque de bizarrice. São aquelas notícias de catástrofes, acidentes, casos de polícia, enfim assuntos do cotidiano que despertam nossa curiosidade mórbida, mas que não necessariamente têm grande importância.

No final do mês passado aconteceu um caso no Paraguai que facilmente passaria por fait-divers.

O jogador de futebol Jorge Sebastián Ortiz Marabel, 27, ajudado por pelo menos outros cinco homens, organizou uma espécie de seqüestro de seu empresário, Cristian María Domecq Pico.

Segundo Ortiz, sua idéia era fazer com que o empresário, dono de seus direitos federativos, o liberasse do vínculo contratual para que ele pudesse jogar onde quisesse.

Ortiz alegou que Domecq havia tomado e gastado em grandes farras todo o dinheiro que ele havia ganhado jogando futebol na Guatemala. O jogador então foi viver na casa do empresário, mas disse que sofria maus tratos e chegava inclusive a passar fome.

Afirmou também que Domecq recebeu dinheiro de um clube na China que queria contratá-lo, mas que ele jamais repassou nenhum centavo deste dinheiro e que a transferência acabou não se concretizando por culpa de seu agente.

Foi aí que Ortiz decidiu agir. Chamou um primo e outros "chapas" para organizar o que começou como um assalto à casa do empresário. O objetivo seria tirar cerca de US$ 1 milhão do cofre que se encontrava na casa. Ortiz abriu a porta para um de seus comparsas. Esperaram por Domecq e o dominaram facilmente.

Eles então o amarraram e o amordaçaram. Colocaram-no porta-malas de um carro. E saíram com o empresário e o cofre para um local distante. Quando conseguiram abrir o cofre, não havia muito dinheiro dentro. E nem o contrato que Ortiz procurava.

Um dois seis homens, ainda não identificado pela polícia, desferiu em seguida dois tiros na cabeça de Domecq. O corpo foi jogado num córrego, e o cofre foi enterrado. Mas na última quinta-feira a polícia prendeu todos os seis.

Triste fim para uma história que começou simplesmente por que um atleta queria jogar bola.

Mas não um simples fait-divers. O caso revela um grande problema do esporte atual. Com o fim da lei do passe, os empresários passaram a ser vistos por muita gente como os grandes vilões do mundo do futebol. Numa análise simplista, os jogadores teriam deixado de ficar presos aos clubes para ficarem presos a estes profissionais.

Serve, pelo menos, para reflexão. Não é um fato sem maior importância.

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O Boca Junior (sem o "esse" mesmo), campeão da segunda divisão do Campeonato Sergipano, virou sensação. O que mais me chamou a atenção foi o patrocínio de camisa do time: Mulheres Perdidas. Perdeu um pouco a graça quando descobri que trata-se de uma banda. E o River Plate, que também disputou a segunda divisão do Sergipano, fez valer a rivalidade e colocou em sua camisa patrocinador à altura: Calcinha Preta. Também uma banda. Clique aqui para ver as camisas. Outro grande atrativo do Boca Junior é a foto do filho do presidente do clube no site oficial. O nome do menino? Rikelme.

*

Falando em Argentina (ou quase), uma demonstração de o que é rivalidade sem limite aconteceu em jogo entre o Gimnasia y Esgrima e o Estudiantes, ambos de La Plata. O atacante Luciano Leguizamón, do Gimnasia, trocou camisas com Juan Sebastián Verón, do Estudiantes, após partida do Apertura. O resultado é que ele pode ser afastado do elenco profissional pela atitude.

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Confira comentário sobre o futuro do Corinthians e as declarações de Andrés Sanches de que o time está fora da disputa do título do Paulista-2008.

Eduardo comenta

Eduardo Vieira da Costa foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

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