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Regra 10

18/07/2008

Teorias da conspiração

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

As teorias da conspiração são, em geral, tão infundadas quanto interessantes e divertidas. Bom, talvez não sejam tão infundadas assim. Talvez o fato de eu ter escrito isso seja parte de um plano diabólico para fazer com que quem leia este texto acredite nisso.

Assim ninguém nunca descobrirá que Paul McCartney morreu e foi substituído por um sósia, que o governo norte-americano tem extraterrestres sob seu poder e que a morte da princesa Diana foi encomendada pela coroa britânica.

E, principalmente, ninguém jamais saberá o verdadeiro motivo da derrota do Brasil por 3 a 0 para França na final da Copa do Mundo de 1998, que no último sábado completou exatos dez anos.

Todo mundo sabe que vencer a fraca seleção da França era coisa fácil para o fortíssimo time do Brasil. Do tipo acordar, tomar café da manhã, vencer a França e tomar uma ducha nos vestiários.

Se o Brasil perdeu, só pode ser porque entregou o jogo. E, se entregou o jogo, algum motivo existiu. É claro! A CBF vendeu o título.

A França ganharia seu primeiro Mundial e em troca o Brasil ganharia uma ajudinha para vencer a Copa de 2002, conquistaria o direito de organizar a Copa de 2014 e ainda levaria um dinheiro, obviamente.

E mais: A Nike exigiu a escalação de Ronaldo na final. Mas como ele tinha sofrido um misterioso colapso nervoso momentos antes da decisão, encomendado pela coroa britânica, usaram um sósia extraterrestre quase igual a ele, mas que jogava bola como o Paul McCartney.

Isso ninguém nunca descobrirá de fato. Porque, como eu já disse, teorias da conspiração são sempre muito infundadas. E o Brasil não venceu a Copa de 2002 e nem vai ser sede da Copa de 2014 e... Oh, meu Deus! Será tudo verdade?

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Existe também uma estranha teoria de que a França jogou melhor.

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Voltando à Terra, mas nem tanto, a derrota por 3 a 0 foi decisiva para a instauração de duas CPIs no Brasil, que pretendiam moralizar o futebol. Para quem não se lembra bem, o nível das perguntas para Zagallo, um dos convocados para depor, era do tipo "porque o Leonardo estava marcando o Zidane no escanteio?". Pergunta semelhante foi feita a Ronaldo: "Quem era o responsável pela marcação de Zidane?" Resposta: "Isso vai ajudar muito a CPI?"

Provavelmente não ajudou. Nenhuma das CPIs deu em nada.

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Ainda no campo das conspirações, recomendo o ótimo livro "Conspirações - Tudo o que Não Querem que Você Saiba", de Edson Aran. Muito divertido.

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E ainda sobre Ronaldo: se tivessem rapado o cabelo do Edmundo careca às pressas e colocado uma dentadura nele, provavelmente ele poderia ter jogado no lugar do Ronaldo e melhor. Tá bom, tá bom. Chega de bobagens sobre a Copa de 98.

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Um boato bizarro sobre a possível contratação do Eto'o pelo Kuruvchi circulou pela internet nos últimos dias. O próprio clube do Uzbequistão lançou o boato em seu site oficial, com algumas notas de conteúdo "duvidoso". Em inglês péssimo, não deixavam muito claro qual era a notícia. No final das contas, parece que fizeram mesmo uma proposta. Não devem levar o camaronês, mas fizeram sua publicidade.

Se fosse para o Kuruvchi, Eto'o poderia fazer dupla com o chileno Jose Luis Villanueva, ex-Vasco.

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Engraçada, apesar de no fundo ser triste, a entrevista deste árbitro que inventou uma regra maluca em jogo da Série C. Ele diz a maior besteira do mundo, mas com muita convicção. Às vezes pode dar certo...

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A multidão de torcedores do Panathinaikos, da Grécia, que foi ao aeroporto receber o novo reforço brasileiro do time deve ter se enganado. Não era o Ronaldinho, mas sim o volante Gilberto Silva quem ia se apresentar. Até ele deve ter se assustado com a festa.

Eduardo Vieira da Costa foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

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