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24/12/2005 - 15h31

Robinho Pinga disse ser religioso e negou mortes, diz polícia

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da Folha Online

Em depoimento à Polícia Civil, Róbson André da Silva, 31, o Robinho Pinga, supostamente um dos maiores fornecedores de maconha e cocaína para os morros da zona oeste do Rio, disse ser religioso e negou já ter ordenado a morte de alguém, segundo o chefe da Polícia Civil, delegado Álvaro Lins.

De acordo com o delegado, porém, escutas telefônicas autorizadas pela Justiça flagraram Pinga coordenando a morte de pessoas e a compra de armas de fogo e munição. Lins contou sobre o depoimento na tarde deste sábado, durante entrevista coletiva sobre a prisão do suposto traficante.

Pinga chegou à entrevista com uma Bíblia nas mãos. Contra ele haveria ao todo sete mandados de prisão pelos crimes de receptação, posse de minas terrestre, associação para o tráfico de drogas e tráfico de armas.

Pinga foi preso na manhã de sexta-feira (23), em Sorocaba (100 km de São Paulo). Horas depois, ele foi levado para o Rio. Quando foi preso, segundo a Polícia Civil, Pinga se preparava para mudar para Vitória (ES).

Em outra casa pertencente a ele, em Itatiba (84 km a norte de São Paulo), foram apreendidas uma submetralhadora e uma pistola.

Participaram da operação o Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado), da Polícia Civil de São Paulo, e a Drae (Delegacia de Repressão a Armas e Explosivos), da Polícia Civil do Rio.

Perfil

Pinga tem um perfil diferente dos traficantes do Rio. É o único que administra suas bocas-de-fumo fora do Estado. Segundo investigações da polícia, ele lava o dinheiro que obtém nas 16 favelas que controla na capital fluminense em outros quatro Estados --São Paulo, Minas Gerais, Bahia e Espírito Santo.

Com a morte de Erismar Rodrigues Moreira, o Bem-Te-Vi, chefe do tráfico na Rocinha (zona sul do Rio), e a prisão de Edmílson Ferreira da Silva, o Sassá, líder da facção criminosa ADA (Amigo dos Amigos), a captura de Pinga tinha voltado a ser o foco principal da polícia.

O ponto alto de seus negócios é São Paulo, de acordo com as investigações. Há pelo menos quatro anos, o traficante teria transferido seu domicílio eleitoral para São Bernardo, na região do ABC paulista, apesar de não votar, nem justificar sua ausência.

Uma das bases de Robinho Pinga no Estado paulista é Atibaia. Seus filhos estudaram em uma escola no município. A polícia descobriu que o traficante tinha uma marmoraria na cidade. A empresa seria de fachada para facilitar a distribuição de drogas. Segundo a Polícia Civil, Pinga transportava cocaína e maconha escondidas nas cargas de mármore para dificultar a apreensão. Após a descoberta, Pinga fechou a empresa e a transferiu para outra cidade.

Indícios da atuação de Pinga em São Paulo foram filmagens feitas por um circuito interno de TV de um shopping na região metropolitana no ano passado. Câmaras flagraram o traficante e seu pai --identificado como Valdir Camisão-- passeando. Ali, eram realizadas as reuniões da quadrilha.

No mesmo shopping foi preso no ano passado Márcio José Sabino Pereira, o Márcio Matemático, um dos principais assessores do traficante.

Histórico

A última vez que Pinga foi preso, em 2002, ele estava em um condomínio de luxo em São Paulo. A casa onde morava estava avaliada em R$ 400 mil. Uma semana depois, foi solto por um habeas corpus.

Meses depois, a polícia prendeu sua mulher, Márcia Cristina Alves de Araújo, em Peruíbe (litoral de São Paulo). Foram apreendidas com ela jóias avaliadas em cerca de R$ 2 milhões. A polícia descobriu ainda uma mansão no Guarujá (litoral de São Paulo), de propriedade do casal. Márcia também foi solta com um habeas corpus.

Recentemente, a polícia descobriu três carros --um Astra e dois Honda Civic-- emplacados em São Paulo e que eram de propriedade da quadrilha. Os veículos, em nome de uma pessoa que já morreu, foram vendidos.

A cocaína e a maconha vendidas por Pinga em seus redutos no Rio de Janeiro são trazidas do Paraguai e da Bolívia por fornecedores radicados em São Paulo.
 

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