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18/01/2006 - 20h55

Justiça apreende livros considerados anti-semitas em São Paulo

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da Folha Online

Por ordem da Justiça, 1.680 exemplares do livro "Os Protocolos dos Sábios do Sião" foram apreendidos na segunda-feira (17) na sede da editora Centauro, na zona norte de São Paulo. O livro é considerado ofensivo pela comunidade judaica por relatar um suposto plano de dominação do mundo feito por judeus.

O pedido de apreensão foi feito ao Ministério Público Estadual pelos advogados Octávio Aronis e seu sócio, Alex Ades. Os dois advogados são judeus e Aronis é diretor jurídico da Fisesp (Federação Israelita do Estado de São Paulo).

Aronis ficou sabendo que o livro estava sendo comercializado depois de uma denúncia feita por uma pessoa que viu um exemplar em uma livraria no final de dezembro. O livro foi comprado e anexado no pedido dos advogados ao Ministério Público para o recolhimento da obra.

Divulgação
Edição do livro da Editora Centauro
Edição do livro da Editora Centauro
O pedido dos advogados foi acatado pelo promotor Roberto Porto, do Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado do Ministério Público). "É um livro absurdo, que prega o anti-semitismo, o ódio e o extermínio", afirma Porto. Porto pediu o recolhimento dos livros à Justiça, que também acatou.

Segundo o promotor, decisão semelhante do STF (Supremo Tribunal Federal) já causou a apreensão de exemplares de "Os Protocolos dos Sábios do Sião" no Rio Grande do Sul.

Outro lado

Adalmir Caparros, proprietário da editora Centauro afirma que a publicação do livro não tinha como intuito ofender ou discriminar o povo judeu. "Como editora, temos um posicionamento neutro, vejo o livro com olhos comerciais. Sabemos que é um livro polêmico, mas não queríamos ofender", afirma.

A editora Centauro também publica o livro "Minha Luta", de Adolf Hitler. No site da editora, ela se posiciona em relação ao livro: "A propósito da edição da obra 'Minha Luta' (Mein Kampf), de autoria de Adolf Hitler, a Editora Centauro esclarece que não apóia nem respalda a ideologia ou os conceitos doutrinários de seu autor".

Aronis acredita que há diferenças entre os dois livros. "'Minha Luta' é um documento histórico. O 'Protocolos' é um livro só usado para discriminar e ofender os judeus", afirma.

Caparros afirma que deve recorrer da decisão, mas que vai obedecê-la. O dono da editora calcula que seu prejuízo atinja R$ 40 mil --cada exemplar era vendido por R$ 27. Segundo Caparros, a primeira impressão do livro, de mil exemplares, saiu há cerca de seis anos. O dono da editora acredita que cerca de cem exemplares ainda estejam em livrarias.

Um inquérito policial deve ser instaurado para apurar responsabilidades.

História

"Os Protocolos dos Sábios do Sião" foi publicado pela primeira vez no início do século 20, na Rússia czarista. O livro --que é apócrifo-- descreve um suposto plano judeu de dominação do mundo. Segundo a enciclopédia livre Wikipedia, o texto é considerado fraudulento por vários historiadores da Europa e dos Estados Unidos. De acordo com o site, há evidências de que ele tenha sido produzido por autoridades russas.

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre "Os Protocolos dos Sábios do Sião"
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