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02/04/2006 - 09h50

Rodoanel encarece e atinge R$ 3,5 bilhões

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da Folha de S.Paulo

As alterações no trecho sul do Rodoanel feitas pela gestão Geraldo Alckmin (PSDB) de um ano para cá elevaram em mais de R$ 330 milhões os custos previstos da obra, que deverá requerer R$ 3,5 bilhões dos cofres do Estado.

A Dersa (empresa estadual responsável pelo projeto) afirma que a evolução na previsão dos gastos foi motivada por mudanças para diminuir impactos no ambiente.

A obra é uma das bandeiras políticas de Alckmin, candidato tucano à Presidência. Ela vai ligar a rodovia Régis Bittencourt a Mauá, no ABC, passando pela Anchieta e Imigrantes, num total de 61 km.

No primeiro semestre de 2005, a gestão previa gastar R$ 2,95 bilhões na alça sul do Rodoanel, sendo R$ 2,23 bilhões com as obras brutas, sem contar desapropriações, supervisão e projetos.

Esses valores serviram de parâmetro para a pré-qualificação das empresas com capacidade técnica para participar da licitação. No começo de março, a gestão Alckmin lançou a concorrência para as obras, cujas propostas devem ser apresentadas no próximo dia 12. Mas os valores previstos tiveram alterações significativas.

No total, os custos estimados já alcançam R$ 3,46 bilhões --uma diferença, em valores brutos, de R$ 510 milhões da previsão anterior ou, descontada a inflação nesse período pelos critérios da estatal, superior a R$ 330 milhões.

Esse acréscimo corresponde a quase um terço do custo das obras de rebaixamento da calha do rio Tietê. O aumento consolida a alça sul como a obra mais cara do Estado, acima até da linha 4-amarela do Metrô (Luz-Vila Sônia), considerada a mais importante, com demanda que vai beirar 1 milhão de passageiros por dia.

Essa ligação sobre trilhos tem custo previsto de US$ 1,262 bilhão, algo que, pelo dólar atual, seria menos de R$ 2,8 bilhões.

Ambiente

Parte das mudanças para minimizar os impactos ambientais se deu por conta da pressão do Ministério Público Federal e de ambientalistas. Carlos Satoru Miyasato, gerente da divisão de planejamento, medição e orçamento da Dersa, ressalta, entre as mudanças, a elevação da distância entre os pilares das pontes --em um dos casos, de 40 m para 100.

A medida evitaria maiores impactos na terra e no fundo da represa. "O custo aumenta porque se gasta mais para a sustentação do balanço da ponte", afirma.

José Fernando Bruno, gerente de meio ambiente da Dersa, diz ainda que, pelo planejamento inicial, as compensações ambientais representariam 0,6% da obra, como no trecho oeste, percentual que acabou saltando para 1,93%.

Essa compensação abrange a criação de unidades de conservação, como os parques cobrados pela Prefeitura de São Paulo.

Já os gastos com mitigação ambiental --para arrumar algo que foi afetado-- atingirão agora R$ 510 milhões, contra R$ 430 milhões antes, afirma a Dersa.

O trecho sul do Rodoanel deve concentrar 725 mil viagens de veículos por dia até 2020, sendo 585 mil de autos e 141 mil de comerciais. No trecho oeste (que liga a Régis Bittencourt à Anhangüera e Bandeirantes), aberto em 2002, esse montante hoje é de 200 mil.

Reação

Marussia Whately, coordenadora do Programa Mananciais do ISA (Instituto Socioambiental), diz que o aumento do custo "é um dado que preocupa" porque as alterações cobradas por ambientalistas não teriam esse impacto.
"Significa que, no mínimo, foi uma obra mal dimensionada", afirma Whately, para quem a Dersa acaba "usando como desculpa a preocupação ambiental".

Ana Cristina Bandeira Lins, procuradora do Ministério Público Federal, disse que, "se a elevação dos custos se deu por conta de mudanças para reduzir os impactos ambientais, isso não deve ser visto como algo ruim". "A proteção do ambiente significa economia. Há um custo maior se não tiver esses cuidados", afirmou ela.

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