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16/05/2006 - 08h52

Cúpula do PCC ordena fim dos ataques em SP

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GILMAR PENTEADO
ANDRÉ CARAMANTE
da Folha de S.Paulo
CRISTIANO MACHADO
Colaboração para a Agência Folha, em Presidente Prudente

A cúpula do PCC (Primeiro Comando da Capital) deu ordem ontem para cessar os atentados e rebeliões em São Paulo, após dois dias de negociações com representantes do governo do Estado.

A Folha apurou que, por telefone celular, líderes da facção criminosa determinaram a presos e membros do PCC do lado de fora das cadeias que interrompessem a onda de violência.

A trégua foi mais rápida nas cadeias. No começo da noite, não havia mais nenhuma rebelião em andamento no Estado. O dia começou com 55 presídios amotinados --foram 82 unidades rebeladas (73 presídios e nove cadeias públicas) desde o início das ações. A maior parte das rebeliões terminou quase simultaneamente, a partir das 16h.

Segundo o que a Folha apurou, o preso Orlando Mota Júnior, 34, o Macarrão, foi um dos principais interlocutores do governo. Ele e outros líderes do PCC deram a ordem de cessar os atentados.

Nas conversas com representantes da Secretaria da Administração Penitenciária, a facção condicionou o fim dos ataques a benefícios a presos transferidos para a Penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km de SP) e à não entrada da Tropa de Choque da PM nos presídios rebelados. Na quinta-feira, 765 detentos --todos membros do PCC-- foram levados para a penitenciária.

Na pauta estava o banho de sol. Os presos estão trancafiados, por medida de segurança, desde a transferência. O PCC pediu que os presos levados a Presidente Venceslau não sejam submetidos ao regime de observação.

Nesse sistema, usado para quem chega a uma nova penitenciária, os detentos ficam trancados e não podem receber visitas ou advogados por um período de até 30 dias. Eles alegam que são "piolhos" (presos veteranos) e não cometeram infrações no sistema para justificar a punição.

Houve outras reivindicações, mais ousadas. Entre elas, segundo agentes penitenciários, está o pedido de visita íntima e de televisores no RDD (Regime Disciplinar Diferenciado). O sistema mais rígido proíbe esses dois benefícios.

Marcola e outros quatro líderes da facção foram levados provisoriamente para o RDD em Presidente Bernardes (589 km de SP) no sábado. Segundo agentes penitenciários, homens da SAP estiveram no domingo em Presidente Bernardes para conversar com o chefe do PCC.

Sem negociação

O governo nega a negociação com a organização. "Não se negocia com bandido", afirmou ontem o diretor do Deic (Departamento de Investigações Sobre o Crime Organizado), Godofredo Bittencourt. Mas ele afirma que o plano de isolar os líderes do PCC em Presidente Venceslau surgiu quando os presos passaram a fazer pedidos fora da lei.

"Eles [os líderes do PCC] fizeram reivindicações junto à Secretaria da Administração Penitenciária que não eram permitidas. Chegou a um ponto que o secretário [Nagashi Furukawa] achou que eles estavam pedindo aquilo que não se poderia permitir e poderia acontecer alguma coisa", afirmou o diretor do Deic.

Bittencourt disse que a facilidade do acesso dos presos a celulares dificulta o trabalho da polícia. "São contatos feitos por telefone rapidamente que não há condições, de quem quer que seja, de saber o que vai acontecer."

Em março, a Folha revelou uma foto em que Marcola aparece com um celular na mão. A imagem foi registrada por outro telefone, com câmera digital, que pertencia a outro preso. O aparelho com a imagem arquivada na memória foi apreendido em janeiro.

A CPI da Câmara dos Deputados que investiga o tráfico de armas já aprovou requerimento para ouvir Marcola e seu irmão Juvenal Herbas Camacho Júnior. O depoimento dos dois pode ocorrer na próxima semana. Os deputados também decidiram exigir do governo paulista a permanência de Marcola no RDD.

Colaborou a Sucursal da Brasília

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