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17/05/2006 - 15h55

Número de suspeitos de ataques mortos em SP sobe para 93

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da Folha Online

Desde a última sexta-feira (12), quando começaram os ataques promovidos pelo PCC (Primeiro Comando da Capital), 93 suspeitos de envolvimento nos crimes foram mortos em supostos confrontos com a polícia, de acordo com o governo estadual. Até as 15h45 desta quarta-feira, a Secretaria da Segurança Pública não havia divulgado o balanço atualizado com os números de mortos e presos.

Caso isso, sobe para 146 o número de pessoas mortas em decorrência da série de mais de 250 ataques contra forças de segurança e da onda de rebeliões promovidas pelo crime organizado no Estado --o número de mortos leva em conta policiais, guardas, agentes penitenciários, civis, suspeitos e presos que morreram em rebeliões.

Em seis dias, as ações contra as forças de segurança causaram as mortes de 23 policiais militares, seis policiais civis, três guardas municipais, oito agentes de segurança penitenciária, e quatro civis --entre eles a namorada de um policial, conforme balanço divulgado ontem pelo governo do Estado. Foram confirmadas ainda a morte de nove presos de penitenciárias e CDPs (Centros de Detenção Provisória) que foram alvos de motins.

O número total de vítimas da onda da violência pode subir ainda para 155, caso sejam confirmadas as mortes de outros nove presos que estavam em cadeias públicas onde houve rebeliões.

Nesta quarta-feira, a violência diminuiu, mas novos ataques foram registrados durante a madrugada. Suspeitos foram mortos em diferentes pontos da região metropolitana.

O governador Cláudio Lembo (PFL) voltou a negar um acordo com a facção criminosa para que a série de ataques e rebeliões chegasse ao fim. O movimento diminuiu na segunda-feira (15), um dia depois de uma reunião entre representantes do governo e o líder da facção, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola, na penitenciária de Presidente Bernardes (589 km a oeste de São Paulo).

"Tínhamos que usar todas as formas possíveis para agilizar o diálogo, inclusive com essa figura [Marcola]", disse. "Eu nunca vi um acordo onde a facção criminosa tivesse tantos mortos", afirmou.

Ataques

Por volta da 0h30 desta quarta, dois suspeitos foram mortos por policiais militares da Rota (Rondas Ostensivas Tobias Aguiar), depois de atirarem contra guardas municipais que faziam a segurança da prefeitura de Osasco, Grande São Paulo.

Cerca de três horas depois, policiais militares em patrulhamento surpreenderam um grupo em frente à estação de tratamento de esgoto da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) em São Miguel Paulista (zona leste da cidade). Um dos suspeitos foi morto, e os outros conseguiram fugir. Segundo a polícia, eles teriam atirado contra o prédio. Por meio de sua assessoria de imprensa, a Sabesp nega os tiros contra a estação, mas confirma uma ação policial em frente ao prédio.

Na zona norte, dois homens em uma moto atiraram contra um carro da Polícia Militar que fazia patrulhamento na região da Casa Verde. Os policiais revidaram, e o criminoso que estava na garupa da moto foi morto. O outro fugiu.

Na região de Itaquaquecetuba (região metropolitana), três homens morreram após cerco realizado pela Polícia Militar. A corporação afirma que eles estavam armados e pretendiam fazer ataques na região.

Noite de terça

A Emef (Escola Municipal de Ensino Fundamental) Cândido Portinari, na rua Correia Melo, em Perus (zona norte de São Paulo) foi atacada com tiros e coquetéis molotov às 23h40 de terça-feira (16).

Segundo a Guarda Civil Metropolitana, seis homens com toucas ninja invadiram e tentaram arrombar a porta de entrada. Quando o vigia acendeu a luz para verificar o que estava acontecendo os criminosos dispararam oito tiros e jogaram um coquetel molotov, que não explodiu. Não houve feridos. Moradores teriam dito que os criminosos pertencem ao PCC.

No bairro de Campo Belo (zona sul de São Paulo), um homem foi preso com dois coquetéis molotov. Segundo investigador de plantão no 27º DP, ele havia recebido indulto de Dia das Mães.

Um suposto membro do PCC foi preso no final da noite de terça-feira (16) com mais 4.000 papelotes de drogas --cocaína, crack e maconha-- e cadernetas com anotações de armamento na favela do morro do Samba, em Diadema (Grande São Paulo).

Reação

A onda de ataques --a maior já registrada contra forças de segurança do Estado-- começou, em resposta à decisão do governo estadual de isolar lideranças da facção criminosa. Na quinta-feira passada (11), 765 presos foram transferidos para a penitenciária 2 de Presidente Venceslau (620 km a oeste de São Paulo), em uma tentativa de evitar a articulação de ações criminosas.

Reportagem publicada pela Folha nesta terça, mostra que, por telefone celular, líderes da facção criminosa determinaram a presos e membros do PCC do lado de fora das cadeias que interrompessem a onda de violência.

Segundo o que a Folha apurou, o preso Orlando Mota Júnior, 34, o Macarrão, foi um dos principais interlocutores do governo. Ele e outros líderes do PCC deram a ordem de cessar os atentados. Reportagem publicada pela Folha Online no domingo já indicava a negociação entre o governo e presos. Na ocasião, a Secretaria da Administração Penitenciária negou qualquer acordo.

Ontem, o governo do Estado voltou a negar o acordo, mas o comandante-geral da PM, coronel Elizeu Eclair Teixeira Borges, admitiu que houve uma "conversa" entre o líder do PCC, Marcos Willians Herba Camacho, o Marcola. Disse, porém, que não conhecia o teor do diálogo.

O secretário de Administração Penitenciária de São Paulo, Nagashi Furukawa, confirmou que a facção apresentou condições para pôr fim à série de ataques e que houve uma reunião entre representantes do governo e Marcola. Mas também negou acordo.

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