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14/08/2006 - 19h50

Ao menos dez pessoas participaram de seqüestro de funcionários da Globo

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da Folha Online

Ao menos dez pessoas participaram do seqüestro do repórter Guilherme de Azevedo Portanova, 30, e do auxiliar técnico Alexandre Coelho Calado, 27, de acordo com investigações da polícia. Ambos são funcionários da TV Globo.

Portanova e Calado foram seqüestrados na manhã de sábado (12) quando saíam de uma padaria, próximo à sede da emissora, na zona sul de São Paulo. O técnico foi libertado na madrugada de domingo, com um DVD que foi exibido pela Globo como condição para a libertação do repórter.

Um boletim de plantão comandado pelo também repórter César Tralli entrou no ar à 0h28 de domingo (13) e exibiu as imagens --editadas-- do DVD para todo o Estado. O repórter foi libertado na madrugada desta segunda-feira e prestou depoimento à Polícia Civil à tarde.

A polícia afirma que os dois funcionários da TV ficaram em pelo menos dois cativeiros diferentes. Os criminosos que os mantiveram em cárcere disseram que são do PCC (Primeiro Comando da Capital)

"Eu não fui agredido e fui alimentado o tempo todo", disse Portanova poucos minutos após sua libertação. "Ali, naquele momento, eles sentiram talvez que tivessem concluído o serviço deles e resolveram me soltar."

Portanova disse ainda que não foi ameaçado de morte enquanto esteve em poder dos bandidos. "Fiquei o tempo todo de capuz."

O repórter foi deixado em uma rua do Morumbi (zona oeste de São Paulo), no final da noite de domingo. Ele pegou carona em um carro de uma empresa de segurança particular e chegou à sede da emissora, por volta da 1h.

Vídeo

O DVD continha um vídeo em que um suposto integrante do PCC faz críticas ao sistema penitenciário em frente a uma parede pichada. Ele pede um mutirão para revisão de penas, melhores condições carcerárias, e se posiciona contra o RDD, que impõe regras mais rígidas aos presos.

Nas imagens exibidas, a Globo cortou a introdução na qual eram mostradas armas de guerra, dinamites, granadas e coquetéis molotov. O vídeo entrou no ar no intervalo do "Supercine" que, na Grande São Paulo, costuma ter mais de dez pontos no Ibope, o que equivale a mais de 550 mil domicílios. À noite, a emissora exibiu parte do manifesto no "Fantástico".

Uma cópia do DVD foi enviada à Folha na quarta-feira (9). Sua autenticidade não era comprovada. O jornal relatou parte do conteúdo da filmagem em reportagem publicada na quinta-feira (10).

Uma outra cópia foi jogada, na sexta-feira (11), no estacionamento do SBT. A emissora encaminhou uma cópia ao Ministério Público.

Parte do comunicado repete quase na íntegra trechos de parecer do Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária do Ministério da Justiça, de abril de 2003. O órgão apontava, na ocasião, aquilo que considerava ilegalidades do RDD.

Perícia

O vídeo foi encaminhado para perícia em busca de digitais. A voz foi comparada com diálogos de seqüestradores gravados pela polícia, sem sucesso. A polícia requisitou também imagens das câmeras das rodovias a fim de tentar descobrir se o Gol utilizado no seqüestro deixou a cidade.

O diretor de jornalismo da TV Globo São Paulo, Luiz Cláudio Latgê, disse que a decisão de atender a reivindicação dos criminosos foi da emissora, sem participação do governo de São Paulo ou da polícia. Em nota, a emissora informou ter sido orientada por órgãos internacionais a ceder à pressão.

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