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01/11/2006 - 23h19

Delegado diz que FAB nega acesso à degravação da caixa-preta de Boeing

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da Agência Folha

O delegado da Polícia Federal Renato Sayão, responsável pelas investigações sobre o acidente entre o jato Legacy e o vôo 1907 da Gol, disse nesta quarta-feira que as apurações estão emperradas porque a polícia não consegue ter acesso à degravação da caixa preta que está com a Aeronáutica e que registrou a conversa entre os pilotos.

"Esse inquérito realmente está difícil de ir para a frente porque nós precisamos de informações que estão quase todas com a Aeronáutica. Sem a caixa preta, as investigações não avançam."

O Legacy colidiu com o Boeing no dia 29 de setembro, na região de Mato Grosso, divisa com o Pará. Foi o maior acidente aéreo do país e resultou na morte dos 154 ocupantes do avião da Gol.

O delegado também apontou outros dois fatores que atrasam as investigações. Ele ainda não conseguiu ouvir o depoimento dos controladores de vôo de Brasília-DF e o STJ (Superior Tribunal de Justiça) ainda não decidiu se a responsabilidades pelas investigações são da Justiça Federal ou da Estadual.

A Aeronáutica se baseia em uma legislação internacional para alegar que o material será entregue somente após a conclusão de sua própria apuração.
A Aeronáutica informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que as informações contidas na caixa preta do Boeing ainda estão sendo decodificadas e analisadas, e que não há prazo para que o material fique pronto.

"Eles não têm prazo. Não há prazo na lei que diz que eles têm que concluir isso. Pode demorar 30 dias, seis meses. Pode demorar muito tempo", disse o delegado, durante entrevista na sede da PF de Cuiabá-MT.

A PF pedirá até a próxima segunda-feira a prorrogação por mais 60 dias ou 90 dias para concluir o inquérito.

Sayão disse possuir tudo que ocorreu no espaço aéreo no dia do acidente, como um mapa dos trajetos e as gravações das conversas dos controladores de vôos com as aeronaves e entre os centros de controle entre si.

"As gravações [dos controladores] ainda não levam à conclusão nenhuma. Preciso de outro dado fundamental, que é a comunicação dos pilotos com o centro de controle e as gravações de dentro da cabine."

A PF também viu ontem frustrada sua tentativa de ouvir os controladores como testemunhas no caso. Apresentaram atestados médicos emitidos por um psiquiatra da FAB (Força Aérea Brasileira), que concede licença total a eles por 15 dias, sob a alegação de que sofreram um estresse pós-traumático.

O delegado tentará ouvir os controladores dia 16 ou 17 de novembro, em Brasília. Para Sayão, os controladores são considerados testemunhas no inquérito da PF, pois são militares e, portanto, devem ser investigados pela Justiça Militar.

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