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04/01/2007 - 10h09

PMs apóiam milícias em ataques, diz ONG

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MARIO HUGO MONKEN
da Folha de S.Paulo, no Rio

Milícias formadas por policiais e ex-policiais que atuam em favelas do Rio contam com o apoio de PMs quando invadem uma comunidade para expulsar traficantes, segundo denúncias recebidas pela ONG Observatório das Favelas.

Elas revelam que, antes dos ataques, os policiais realizam uma operação na área, usando carros da corporação, veículos blindados (apelidados de Caveirão e de Pacificador) e até helicópteros, para preparar o território para os milicianos invadirem.

De acordo com Jaílson de Souza, coordenador da ONG, os PMs trocam tiros com os traficantes e, em seguida, os milicianos entram e expulsam os criminosos.

Mesma violência

Esse grupos são acusados de aplicar a mesma violência do tráfico sobre aqueles que não aceitam pagar taxas por serviços como segurança, TV a cabo e até para vans que circulam nas comunidades. A Observatório de Favelas é uma das entidades com maior atuação em comunidades carentes no Rio. Realiza projetos sociais com jovens das favelas.

Souza disse ter sido informado de que a ajuda ocorreu em pelo menos três favelas invadidas por milícias desde novembro: a Kelson, na Penha; a Roquete Pinto, no complexo da Maré; e Barbante, na Ilha do Governador. Todas estão na zona norte.

Outra ajuda teria ocorrido na noite da última sexta-feira, quando um grupo de milicianos atacou a favela Cidade de Deus, em Jacarepaguá, na zona oeste. Para impedir a entrada da milícia, os traficantes montaram barricadas na avenida Miguel Salazar Mendes de Morais, com móveis e lixo queimado.

A PM foi para o local e desmontou a barreira. Em seguida, um grupo de milicianos entrou na comunidade e houve troca de tiros, mas a favela não foi tomada.

O presidente da Caixa Beneficente da Polícia Militar (uma das associações de PMs), Jorge Lobão, disse à Folha também ter recebido denúncias de auxílio de policiais às milícias, mas não informou em qual área isso ocorreu.

Satisfeitos

Questionado pela reportagem sobre esta suspeita, o prefeito do Rio, Cesar Maia, que vem denunciando a atuação das milícias, afirmou que os policiais militares ficam satisfeitos quando esses grupos tomam uma favela.

"O tráfico de drogas mata os policiais por prazer. Quando há uma entrada de paramilitares em comunidades onde existe um batalhão da PM ao lado, é natural que essa seja uma boa notícia para os policiais que não mineiram [extorquem] os traficantes", disse

Além de contarem com o suposto apoio de policiais dos batalhões da área, os grupos invasores ainda "convidam" policiais de outras unidades para ajudarem nos ataques.

Pelo serviço, eles não recebem nenhum centavo, conta um policial. Depois que a área é conquistada, eles são convidados a integrarem a equipe de segurança e recebem até R$ 100 por dia de trabalho.

Contatos

Segundo a Folha apurou, antes de invadirem a área, os milicianos fazem contatos na favela com moradores e com integrantes de baixo escalão do tráfico, como fogueteiros e olheiros. Para obter informações, prometem mantê-los na comunidade depois da invasão, desde que não continuem no crime. Nos ataques às comunidades, as milícias utilizam armas com silenciadores para não chamar muito a atenção.

Outro lado

O Comando da Polícia Militar do Rio disse que a corporação está investigando as milícias e que prendeu, no mês passado, policiais do 9º Batalhão, supostamente envolvidos com os grupos. Disse que as denúncias de ajuda oficial às milícias são inverídicas, porque o uso de veículos blindados e dos helicópteros são bem controlados.

O secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, disse que a Subsecretaria de Inteligência está consolidando informações sobre o caso.

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