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13/06/2000 - 23h01

Especialistas apontam 3 falhas da polícia em sequestro de ônibus no Rio

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ALESSANDRO SILVA, da Folha de S.Paulo

Três sucessivas falhas da polícia do Rio de Janeiro podem explicar o final trágico do sequestro de segunda-feira (12), que terminou com a morte de uma das reféns, Geísa Firmo Gonçalves.

Especialistas em ações táticas da polícia analisaram, a pedido da Folha, as cenas e concluíram que a Polícia Militar, em princípio, seguiu o protocolo de negociação usado internacionalmente pelas policiais nesse tipo de caso.

Primeiro, impediu que o veículo saísse do lugar. Depois, isolou o local e abriu negociação com o rapaz. Até esse ponto, o procedimento é padrão.
"A prioridade número um nesse tipo de situação é a vida do refém, por isso é que não se podia arriscar um tiro à distância. Só se atira caso um dos reféns seja morto", afirma o coronel da Polícia Militar de São Paulo Nilson Giraldi, 69, especialista em tiro defensivo e ações táticas.

O passo seguinte seria negociar a libertação das pessoas, independentemente do tempo necessário. O que se viu a seguir, no entanto, segundo os pesquisadores, foram desencontros de ordens, precipitação da tropa de elite e risco para os reféns e policiais.

Precipitação

A operação desastrada começa com o policial de elite atacando o sequestrador Sandro Nascimento, no momento em que ele saiu do veículo com a arma nas costas de uma refém.

Nascimento teve tempo de virar, olhar para o policial e agarrar ainda mais Geísa, antes do policial começar a atirar. "Já que atacou, deveria ter feito o disparo de imediato, assim que se aproximou", diz Aureo Miraglia de Almeida, 37, consultor de segurança treinado em armamento e ações táticas nos Estados Unidos, Israel e África do Sul, e ex-campeão mundial de tiro.

Arma

Além de precipitado, o atirador da PM carioca deu tiros considerados de alto risco para sua posição, segundo os especialistas.

Em vez de apoiar a submetralhadora no ombro para ter a visão do alvo, ele escolheu o tiro semivisado: a arma estava um pouco abaixada e ele não tinha noção precisa da direção que o projétil tomaria após o disparo.

Por isso, a refém acabou ferida pelo tiro da polícia, conforme constatou laudo pericial. "Aquilo foi uma loteria e a probabilidade de erro era muito maior que a de acerto", diz Giraldi. Segundo ele, o policial deveria ter usado uma pistola _arma com maior força para imobilizar de imediato o sequestrador e impedir a reação dele.

O tiro ainda deveria ser preciso, na cabeça. Mesmo assim, ainda haveria risco para a refém. Nascimento poderia atirar contra ela, como ocorreu de verdade.

Desorganizado

A pior falha na ação foi a de comando, segundo o coronel da PM José Vicente da Silva, que está na reserva e hoje é pesquisador da área de segurança do Instituto de Segurança Fernand Braudel. "Uma tropa bem treinada não admite heroísmo individual", diz.

A ação do policial surpreendeu até os três PMs que negociavam o fim do sequestro do lado de fora do ônibus, segundo ele, demonstrando que não havia comando centralizado _a principal regra nesse tipo de situação de risco.

Os policiais, se houvesse organização, deveriam ter agarrado e jogado a refém no chão para protegê-la assim que o atirador agiu.

Clique aqui para ler toda a cobertura do caso na página especial Pânico no Rio

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