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15/06/2000 - 18h57

Capitão acusado de matar sequestrador reafirma legítima defesa

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da Folha de S.Paulo, no Rio

O capitão da PM do Rio Ricardo Soares, que chefiou o grupo de quatro policiais que transportou e é acusado de matar o sequestrador Sandro do Nascimento, acabou de prestar depoimento na 15ª DP (Gávea, zona sul da cidade). Ao sair, ele reafirmou que os cinco PMs acusados agiram em legítima defesa e sob violenta emoção.

Antes de Soares, depôs o soldado Paulo Roberto Alves Monteiro. "Estamos com a consciência tranquila. O que posso dizer é que estou muito triste com a morte da refém", afirmou o soldado ao sair de seu depoimento.

Monteiro faz parte do grupo de cinco PMs que está preso acusado de assassinar, por asfixia, o sequestrador Sandro do Nascimento, que protagonizou o sequestro ao ônibus no Jardim Botânico que terminou também com a morte da professora Geísa Firmo Gonçalves.

Três acusados ainda estão prestando depoimento. No geral, eles alegam legítima defesa e que agiram sob violenta emoção. A advogada de Monteiro, Daniele Braga, afirmou que toda a ação da polícia foi legal e que os policiais agiram em defesa da própria vida.

Segundo outro advogado, Chaia Ramos, nenhum dos policiais tinha um par de algemas para imobilizar o sequestrador e, por isso, tiveram que imobilizá-lo com o próprio corpo.

Ramos afirmou que, quando foi jogado no camburão, Nascimento tentou reagir e machucou o braço do soldado Monteiro.

Neste ponto, o advogado entrou em contradição. Num primeiro momento, ele afirmou que o sequestrador machucou o braço de Monteiro quando o soldado o jogava no camburão e o sequestrador tentou reagir. Depois, disse que o braço foi machucado quando Nascimento já estava no camburão e tentou pegar a arma de outro soldado, Flávio do Val Dias.

Segundo o advogado, mesmo com o braço machucado, foi Monteiro quem dirigiu o carro da PM até o hospital Souza Aguiar.

Ao seu lado, no banco do carona, estaria o soldado Luiz Antônio de Lima Silva. Atrás, junto com Nascimento, estavam o capitão Ricardo Soares e os soldados Márcio de Araújo David e Flavio do Val Dias.

Corpo de delito

Monteiro saiu da delegacia e foi fazer exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal) para ver se seu braço está realmente machucado ou não e qual a gravidade do ferimento.

Ele tem 30 anos e trabalha há cinco anos no Bope (Batalhão de Operações Especiais). O exame do corpo de delito não foi completo porque a médica não pôde retirar a atadura. Ela explicou que sua obrigação é descrever o que vê e que não poderia tirar a atadura "por contra-indicação médica" e que, por isso, precisava pedir mais informações ao hospital que o atendeu.

Os cinco policiais (o capitão inclusive) chegaram para depor na 15ª Delegacia de Polícia às 10h05 sem falar com a imprensa. Eles chegaram numa van do Bope (Batalhão de Operações Especiais), fardados e sem algemas. O soldado Monteiro chegou com o braço enfaixado. Só o capitão estava com identificação no uniforme.

Antes de entrar para acompanhar os depoimentos, o advogado não explicou como Nascimento teria sido morto, nem em que momento nem por quem. Também nada falou sobre a ameaça aos médicos do hospital Souza Aguiar. Os médicos do hospital só vão depor na segunda-feira.

Os médicos acusam os policiais de tentar invadir o setor de emergência para disparar tiros no corpo de Nascimento. O objetivo da ação era que os tiros atrapalhassem a conclusão da perícia.

A assessoria do Comando da Polícia Militar admitiu que os policiais do Bope não têm algemas entre seus equipamentos.

Segundo a assessoria, o Bope não é uma polícia especializada em patrulhamento, mas em operações especiais, por isso a algema não seria fundamental. Em compensação, diz a assessoria, o Bope tem equipamentos que o restante da polícia não tem, como facões.

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