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17/06/2000 - 19h33

Cabo ainda paga por erro que não foi dele em morte de refém em 1990

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LEONARDO FUHRMANN, repórter da Folha Online

O cabo Marco Antonio Furlan depois de mais de 10 anos da ocorrência em que acabou matando uma refém se nega a falar do assunto. Seus familiares e amigos ficam preocupados ao ver que o caso volta a ser comentado, graças a ação de segunda-feira (12) no Rio de Janeiro, onde uma refém foi morta. O assaltante no Rio foi estrangulado dentro do carro da polícia sem que tenha tomado qualquer tiro.

Pertencente ao Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) da Polícia Militar de São Paulo desde a sua fundação, em 1988, o cabo Furlan era considerado um dos melhores atiradores da corporação até o dia 20 de março de 1990.

Neste dia, um tiro de fuzil disparado pelo policial atingiu e matou o assaltante Gilberto Palhares. O mesmo tiro também matou a professora de Educação Física Adriana Caringi. Ela era mantida como refém por Palhares e estava como escudo dele numa janela na parte de cima do sobrado onde Adriana morava com seus pais.

Furlan foi absolvido pela Justiça. Mas de respeitado atirador de elite, passou a trabalhar apenas em funções burocráticas do Gate. Ele mesmo prefere que seja assim, carregando o peso de um erro que não foi dele.

"Na época não sabíamos que um tiro como aquele poderia transfixar a cabeça do assaltante e matar outra pessoa", afirma o capitão Diógenes Viegas Dalle Lucca, atual comandante do Gate. Ele estava presente na operação de 1990 e admite que houve um erro, mas ele não teria sido de Furlan, que acertou o alvo.

"Não foi culpa dele, em 1990 achávamos que aquilo era imponderável. Estávamos muito no começo e aprendemos muito com o fracasso daquela ocorrência", afirma o capitão Lucca. "Ele ainda carrega a culpa por aquele erro que não foi dele".

Chefe do Casj (Centro de Assistência Social e Jurídica), o tenente-coronel Paulo Roberto Xavier acha que o caso provocou um trauma muito grande no policial. "Ele ficou muito marcado, tanto que dez anos depois a gente ainda falando sobre este tiro."

Xavier acha que de alguma forma, Furlan ainda se sente responsável pela situação e que apesar do apoio psicológico que recebeu não encontrou força para vencer o trauma. "Tanto isso é verdade, que ele preferiu não voltar para a atividade para a qual foi treinado", declarou.

Depois do caso do ônibus 174, qual seria a melhor solução para evitar cenas como aquelas? Vote

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