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28/07/2001 - 17h26

Saiba mais sobre a família Diniz, uma das mais tradicionais de SP

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SÉRGIO MARCONDES
do Banco de Dados

A família Diniz, fundadores e proprietários do grupo Pão de Açúcar, um dos maiores grupos empresariais brasileiros, se destaca pela presença de seus membros não apenas no meio econômico, mas também em eventos esportivos e colunas sociais. A história brasileira da família começa em 25 de novembro de 1929, quando Valentim dos Santos Diniz, um imigrante nascido em 1913 na aldeia de Pomares do Jarmelo, subdistrito da Guarda, em Portugal, desembarcou no porto de Santos. Durante a viagem, se impressionou com a beleza do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro. Em São Paulo, depois de trabalhar como caixeiro no armazém Real Barateiro, casou-se com Floripes Pires, em 1936, e comprou uma pequena mercearia.

Em 1937, tornou-se sócio do Real Barateiro, que transformou na Padaria Nice, uma das maiores da cidade. A partir de 1941, foi seu único proprietário. Em 7 de setembro de 1948, inaugurou a Doceira Pão de Açúcar. Logo na primeira quinzena de existência, esta organizou um banquete para 350 pessoas, sob encomenda do então governador de São Paulo, Adhemar de Barros. Em 14 de abril de 1959, inaugurou o primeiro supermercado Pão de Açúcar, na Avenida Brigadeiro Luís Antônio, ao lado da sede da doceira, dando origem ao grupo Pão de Açúcar.

O grupo cresceu muito através de aquisições de outros supermercados, e da introdução de novidades no Brasil, como hipermercados e lojas de conveniência. Também abriu lojas em Portugal, onde é um dos maiores grupos empresariais. Sob a direção de Valentim, tornou-se o maior grupo supermercadista brasileiro de capital nacional. Após resolver conflitos sucessórios, Valentim afastou-se do dia-a-dia do grupo em 1995, tornando-se presidente do Conselho de Administração, e passando o controle da empresa para o filho mais velho, Abílio. O casal Diniz teve seis filhos: três homens, Abílio, Alcides e Arnaldo, e três filhas: Vera Lúcia, Sônia Maria e Lucília.

Abílio, nascido em 28 de dezembro de 1936, trabalhou ao lado do pai desde 1956, quando estudava Administração de Empresas na Fundação Getúlio Vargas. Foi corredor de automóveis, chegando a vencer as Mil Milhas Brasileiras em 1970, com o irmão Alcides. Sempre encontrando tempo para praticar esportes, seu lazer preferido, Abílio tornou-se o braço direito do pai na administração e na expansão do Grupo Pão de Açúcar. Principal executivo do grupo, em dezembro de 1989 foi sequestrado no Jardim Europa. Levado a um cativeiro no bairro do Jabaquara (zona sul de SP), foi libertado após seis dias, no dia do segundo turno das eleições presidenciais. Dez sequestradores foram presos.

Depois do episódio, passou a dedicar-se à reestruturação do grupo. O Pão de Açúcar havia atingido seu ápice em 1986, quando era o maior grupo privado brasileiro, com 622 lojas e 54.479 funcionários. Porém, em 1990, perdeu o primeiro lugar do mercado brasileiro para o Carrefour, e deu prejuízo de 32 milhões de dólares.

Após discussões e confrontos familiares, o Grupo Pão de Açúcar se estabilizou societariamente com um acordo fechado em 25 de novembro de 1993. Abílio ficou com o controle majoritário do grupo, os pais passaram a uma participação minoritária (36,5% das ações), e Lucília preservou 12% das ações. Os outros irmãos venderam suas participações no grupo.

Diretor-presidente do Pão de Açúcar, a partir de então Abílio implementou um processo de reestruturação que fez o grupo voltar a crescer e obter bons resultados. Atualmente incluindo as bandeiras Extra, Pão de Açúcar, Barateiro e Eletro, o grupo passou a rede Carrefour na liderança do ranking da Abras (Associação Brasileira de Supermercados) de 2001, com base nas operações de 2000. No final do ano passado, possuía uma rede de 416 lojas. Abílio é figura de grande prestígio e influência no meio empresarial brasileiro, embora nunca tenha ocupado um cargo público. Tem quatro filhos: Ana Maria, João Paulo, Pedro Paulo e Adriana.

O irmão de Abílio, Alcides Diniz, nascido em 7 de maio de 1943, teve pouco sucesso empresarial após deixar o Grupo Pão de Açúcar, no qual foi diretor de operações e varejo. Vendeu o 8% de ações do grupo que possuía para o pai Valentim em 1988, por quantia estimada em US$ 120 milhões, na época. Constituiu a ASD Empreendimentos e Participações, que ficou conhecida por participar da chamada "Operação Uruguai", empréstimo de US$ 3,7 milhões feito no Uruguai para despesas pessoais do então presidente Fernando Collor, seu amigo e a quem hospedou durante o Ano Novo de 1991.

Segundo Sandra Fernandes de Oliveira, que era secretária da ASD, a operação foi forjada em 1992 na empresa, com a participação de Alcides. Amante do pólo, envolveu-se em várias brigas durante os jogos deste esporte, uma delas com o empresário Ricardo Mansur e sua família. Foi casado com Renata Scarpa, após ficar viúvo aos 42 anos, em 1985. Dono de personalidade forte, é conhecido por gostar de extravagâncias. Uma vez declarou: "Eu invisto no prazer. Sou uma pessoa que gosta de viver bem. Acho que o único sentido da vida é viver bem". Tem quatro filhos.

Os outros irmãos de Abílio têm menor projeção. Arnaldo, nascido em fevereiro de 1945, foi diretor comercial do Grupo Pão de Açúcar, até entrar em conflito com Abílio e sair em 1991. Posteriormente, foi sócio da Stella Barros, e investiu em uma rede de concessionárias Mercedes-Benz. Das três irmãs, Lucília (nascida em 1956) permaneceu ao lado de Abílio na reestruturação de 1993, mas sem tomar parte na administração do grupo, enquanto Vera Lúcia (nascida em 1947) e Sônia Maria (nascida em 1952) venderam suas participações e levam vida discreta. Dos filhos de Abílio, três têm aparecido com mais destaque:

Ana Maria, administradora de empresas formada pela FGV, trabalhou como repórter na revista "Exame". Depois montou, com outros três sócios, uma empresa de comunicação. Em 1991, entrou no grupo Pão de Açúcar como assessora de comunicação.

Em 1993, tornou-se diretora de marketing, e posteriormente vice-presidente de operações, onde coordena novos negócios do grupo, como o site Amélia, e desenvolve projetos sociais. Discreta e sem participações esportivas, está sendo preparada para ser a principal executiva do Grupo após a saída de Abílio Diniz.

João Paulo, conhecido como conquistador, já namorou várias modelos famosas, como Gisele Bündchen. É diretor de Desenvolvimento de Novos Negócios e vice-presidente do conselho administrativo do Grupo Pão de Açúcar, participando ativamente da tomada de decisões estratégicas dentro do grupo. Possui participação em vários restaurantes de São Paulo (Gero, Gero Café, Fasano, Parigi, Armani Café, Dressing, Baretto, Ecco). Triatleta, já participou profissionalmente de várias provas de resistência, como o Iron Man, nos EUA. Em 21 de novembro de 1997, um homem que tentou assaltar o carro em que estava foi morto por seus seguranças, no Jardim Paulista, em São Paulo.

Já Pedro Paulo destacou-se como corredor, carreira iniciada aos 17 anos, no kart. Tendo passado pela F-Ford brasileira, as F-3 sul-americana e inglesa, e a F-3000, estreou na Fórmula-1 em 1995. Correndo em equipes pequenas (Forti Corse, Ligier, Arrows e Sauber), participou de 99 GPs, marcando pontos em 8 deles. No final de 2000, abandonou as pistas e tornou-se sócio do ex-campeão Alain Prost na equipe Prost, atualmente oitava colocada no Mundial de Construtores de 2001. Mora em Mônaco e também já namorou várias modelos de carreira internacional, aparecendo bastante em festas e eventos sociais.

Fontes: material de arquivo, livro "Meu Pão de Açúcar".


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