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06/09/2001 - 03h18

Policiais estavam vivos no flat, diz Fernando

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do Agora
e da Folha de S. Paulo

O sequestrador Fernando Dutra Pinto disse que foram os investigadores que o esperavam no flat L'Etoile Residence, em Barueri, Grande SP, que deram os primeiros tiros, e que, quando fugiu do local, os três estavam vivos.

"Acho que a primeira rajada [dos policiais] foi acidental. Depois eles começaram a disparar e eu atirei também. Foi tudo muito rápido. Nessa hora ninguém mira em ninguém", disse Fernando em conversa no Centro de Detenção Provisória do Belém (zona leste). O interlocutor pediu anonimato.

O sequestrador contou que subiu no elevador com o investigador Tamotsu Tamaki sem saber que ele era policial. Quando chegaram no décimo andar, Tamaki aplicou-lhe uma "gravata".

Nesse momento, o elevador estaria se abrindo, e os outros dois investigadores -Marcos Amorim Bezerra e Reginaldo Garuta Nardis- se surpreenderam ao vê-los em luta. Segundo o sequestrador, ele correu pelos corredores do flat e desceu por um dos elevadores até o nono andar. Disse que fez isso porque sua munição tinha acabado, e os investigadores ainda atiravam.

Corregedoria
Fernando se negou a depor aos delegados da Corregedoria da Polícia Civil, Eduardo Ielo e Gilberto Peranovich, ontem, no Belém. Os delegados conduzem a sindicância para apurar o que ocorreu no flat. Na ação, Tamaki e Bezerra foram mortos e Nardis ficou ferido.

"Ele me pareceu um rapaz muito inteligente, muito articulado", disse Ielo, segundo o qual Fernando irá depor somente em juízo.

Ielo afirmou ainda que tinha recebido informações do afastamento do delegado-titular do 91º Distrito Policial, Armando Bellio, responsável pela ação no flat. A Secretaria de Segurança Pública não confirmou a informação. No 91º DP, os funcionários dizem que Bellio entrou em férias.

O delegado do 91º DP depôs à Corregedoria, na última sexta, e não soube explicar uma série de procedimentos errados que tomou durante a operação policial.

Uma das contradições foi a de que ele retirou o dinheiro do resgate do flat duas horas antes do tiroteio, mas deixou as armas de Fernando no local.

Hoje, a Corregedoria ouvirá o comentarista esportivo da Rede TV! Jorge Cajuru, hóspede do L'Etoile que disse ter visto Fernando na noite anterior à ação.

Cajuru será, de acordo com Ielo, a última oitiva antes do relatório preliminar que apontará se houve erro na operação policial. A Folha apurou que as conclusões serão de que houve falha grave. Se isso ocorrer, os policiais -no caso, Bellio e Nardis- poderão sofrer penas que vão da suspensão à exoneração. Se a sindicância vislumbrar atitudes criminosas na ação, outro inquérito será aberto.

Ontem, Ielo comentou a respeito da necropsia de Tamaki e de Bezerra. O exame mostra que o primeiro investigador foi atingido, pelas costas, por sete dos nove tiros que levou. O segundo recebeu um tiro à queima-roupa na cabeça. "Isso mostra que pode ter havido mais que um simples tiroteio", disse o delegado.

Ainda de acordo com ele, Nardis e Bellio serão ouvidos novamente.

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