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11/07/2000 - 18h32

Delegada que investiga sequestro do ônibus quer mais um mês para concluir inquérito

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WAGNER MATHEUS, da Sucursal do Rio

A delegada Martha Rocha, que investiga o sequestro do ônibus da linha 174, que completa um mês amanhã, pediu mais 30 dias para concluir o inquérito porque um dos principais envolvidos, o soldado da Polícia Militar Marcelo Oliveira dos Santos, ainda não prestou depoimento, por estar em licença médica até esta sexta-feira.

"Marquei o depoimento do soldado para o próximo dia 17, segunda-feira", informou a delegada. O advogado de defesa de Santos, Clóvis Sahione, deve instruir seu cliente a fazer uso do direito constitucional de só falar em juízo.

Foi o policial militar que, ao tentar alvejar o sequestrador, identificado como Sandro do Nascimento, errou o alvo e acabou acertando o queixo de uma refém, Geísa Firmo Gonçalves. A falha de Marcelo causou a reação imediata de Sandro, que fez três disparos, dois deles fatais, contra a refém.

Pouco ainda se sabe sobre a versão dos cinco policiais militares do Bope (Batalhão de Operações Especiais) que levaram o sequestrador para o hospital Souza Aguiar, no centro do Rio. Sem ferimentos a bala, Sandro do Nascimento foi morto por asfixia. Os cinco policiais estão detidos no quartel do Bope.

A primeira advogada dos cinco, Daniele Braga, afirmou que o capitão Ricardo Soares admitiu ter aplicado uma "gravata" em Sandro, a fim de impedi-lo de agredir os soldados, que tentavam imobilizá-lo.

Aparentemente drogado _nenhum laudo de exame toxicológico foi divulgado_, Sandro, armado com um revólver calibre 38, manteve 10 pessoas como reféns dentro do ônibus, na rua Jardim Botânico, na zona sul do Rio. Ele chegou a simular a morte de uma refém.

O corpo da refém Geísa Firmo Gonçalves, que dava aulas de artesanato na Rocinha, foi enterrado dois dias depois do sequestro, em Fortaleza _onde ele nasceu e vivia antes de morar no Rio.

Já o corpo de Sandro do Nascimento continua na geladeira do IML (Instituto Médico Legal), no centro do Rio de Janeiro, sem data prevista para o enterro, apesar dos esforços frustados da faxineira Elza da Silva _por não conseguir provar no exame de DNA que era a mãe de Sandro, como dizia, Elza foi impedida de fazer o sepultamento.

A advogada Cristina Leonardo, diretora do Centro Brasileiro da Criança e do Adolescente, tomou a iniciativa de realizar o enterro, com os custos pagos pela Santa Casa de Misericórdia.

Foi Cristina, cuja ONG trabalha com meninos de rua, quem identificou Sandro como um dos sobreviventes da chacina da Candelária, em julho de 1993.

A advogada espera que o corpo seja enterrado amanhã, no Cemitério do Caju, centro do rio. No atestado de óbito do sequestrador vão constar apenas as palavras: "Um homem de cor negra."

Depois do caso do ônibus 174, qual seria a melhor solução para evitar cenas como aquelas? Vote

Clique aqui para ler toda a cobertura do caso na página especial Pânico no Rio

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