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17/03/2002 - 18h04

"Fábrica de Esperança" é implodida para dar lugar a hospital no Rio

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TALITA FIGUEIREDO
free-lance para a Folha, no Rio

Em menos de 15 segundos, a "Fábrica de Esperança", que foi implodida na manhã de hoje para dar lugar a um hospital, em Acari (zona norte do Rio), virou escombros.

A Fábrica abrigou entre 1994 e 1999 mais de 50 projetos sociais e chegou a atender cerca de 15 mil jovens por mês no Rio de Janeiro.

Quase 2.000 pessoas se posicionaram estrategicamente para ter uma boa visão da cena. E depois de liberada a área pela Defesa Civil Municipal, moradores subiram nos escombros e podia-se ouvir a todo o tempo a frase: "Parece Nova York", referindo-se ao atentado de 11 de setembro, quando as Torres Gêmeas foram bombardeadas e desabaram.

A Secretaria Municipal da Saúde pagou R$ 700 mil ao Unibanco, dono do terreno, e pretende começar as obras do Hospital Central da Zona Norte, em julho.

"Estimamos que ele fique pronto em janeiro de 2004. A unidade vai atender os 350 mil moradores da região, contará com uma maternidade e tecnologia de ponta. Será o segundo maior hospital municipal do Rio", disse o secretário de Saúde, Ronaldo Cezar Coelho.

O prédio de seis andares e cerca de 55 mil metros quadrados de área construída foi doado ao pastor presbiteriano Caio Fábio pelo grupo Formitex, depois de um incêndio (1992) ter destruído grande parte da fábrica de fórmica que ali funcionava.

Coordenador da organização não-governamental Vinde (Visão Nacional de Evangelização), Caio Fábio conseguiu patrocínio de empresas de porte e do governo. A Fábrica foi palco de lançamento de grandes campanhas de Paz, como a Rio, Desarme-se e a Reage Rio e visitada por Fernando Henrique Cardoso, em sua primeira viagem ao Rio como presidente da República.

As primeiras polêmicas em relação à entidade aconteceram depois de ter sido encontrado, duas vezes, em 1995 e em 1996, grande quantidade de papelotes de cocaína em operações da Polícia Militar.

Nas ocasiões, funcionários da fábrica foram acusados pelo então governador Marcello Alencar de conivência com traficantes do Complexo de Acari, uma das mais carentes regiões do Rio. Mas nada foi provado.

O que havia se tornado um dos mais notórios projetos sociais do município começou a decair depois de Caio Fábio ter sido apontado como o divulgador do dossiê Cayman _ sobre uma suposta conta do alto tucanato no paraíso fiscal, no final de 1998.

Em 2000, o prédio voltou para as mãos da Formitex, que utilizou o imóvel para pagar dívidas com o Unibanco. Apenas um projeto continuou funcionando até a última semana. Uma creche com cerca de 200 crianças, que foi transferida para um prédio próximo ao local.
 

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