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24/03/2002 - 19h15

Ministério Público apura ação de policiais em máfia do combustível

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da Folha de S.Paulo, no Vale do Paraíba

O Gaeco (Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado) do Ministério Público investiga a participação de policiais civis, militares e rodoviários na chamada "máfia do combustível" que atuaria na região do Vale do Paraíba.

O Vale já é apontado pela CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) dos Combustíveis, em curso na Assembléia Legislativa, e pela Polícia Civil como um dos principais entrepostos de adulteração de combustível no Estado e tem atraído a atenção também do Ministério Público.

Segundo o promotor Antônio Carlos Osório Nunes, que pertence ao Gaeco, as apurações estão sendo realizadas em sigilo porque até o momento não há a confirmação de nomes.

Nunes disse que o grupo está buscando agora comprovar as suspeitas, surgidas em outras apurações do grupo no Estado, para apresentá-las à Justiça.

O Gaeco tem informações de que policiais estão facilitando a entrega e a passagem de produtos adulterados pela região, principalmente no eixo da via Dutra.

As quadrilhas, segundo apuraram até agora a polícia e a CPI, agem principalmente na região conhecida como Fundo do Vale.

Embora não participem diretamente da venda do produto clandestino, policiais estariam fazendo "vista grossa" ao transporte de combustíveis adulterados na região, cuja localização facilita operações entre São Paulo, Minas Gerais _onde já foi confirmada a ação das quadrilhas_ e também Rio de Janeiro.

"Temos informação de que aqui, como em outras regiões do Estado, há policiais envolvidos. Temos prenomes, mas precisamos de indícios mais fortes para apresentar algo de concreto para a Justiça", disse.

A região seria um entreposto estratégico do crime organizado com ligações com a máfia estabelecida em São Paulo, em Minas Gerais e até mesmo no Paraná, onde uma das empresas que agem no Vale tem ligações.

Dutra
A via Dutra é apontada como o principal fator que atraiu a organização e fixação de parte das atividades da máfia na região.

Todas as empresas e depósitos descobertos na região estavam localizados à margem da rodovia.

Levantamento realizado pela CPI dos Combustíveis estima que somente em dois anos o crime na região movimentou cerca de R$ 256 milhões.

O valor equivale, de acordo com o deputado Edmir Chedid (PFL), a 16% do que foi movimentado pelas quadrilhas de sonegação fiscal e roubo de cargas no Estado.

Para a polícia, a cifra pode ser ainda maior e atingir a casa dos bilhões de reais.

Em depoimento à polícia, o empresário Ricardo Daim, dono das distribuidoras Quest Park e Agropetroleo de Guaratinguetá, investigadas por adulteração, disse que o lucro dos postos com o "batismo" da gasolina pode ser ampliado em até 40%.

O Gaeco, que já investiga a máfia em São Paulo, e o promotor José Carlos Blat, de São Paulo, vistoriaram um depósito em Tremembé, a pedido da Polícia Federal e do Ministério Público de Minas Gerais, para encontrar ligações da máfia no Vale com o crime organizado de Belo Horizonte (MG).

O depósito foi lacrado pela polícia por suspeita de envolvimento com o esquema de evasão fiscal e adulteração de combustíveis em Belo Horizonte.

Depósitos
Uma das evidências da ação de grupos organizados foi a descoberta de depósitos com grande volume de combustíveis em pequenas cidades, que não teriam como consumir o produto.

 

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