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27/05/2002 - 03h12

PF encontra sete ossadas em garimpo ilegal

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FERNANDA KRAKOVICS
da Agência Folha

A Polícia Federal localizou sete ossadas, anteontem, na reserva indígena Roosevelt, no sudeste de Rondônia, onde há um garimpo ilegal de diamantes. Desde o início do ano foram encontradas, no total, 12 ossadas na reserva.

O superintendente da PF em Rondônia, Marco Aurélio de Moura, solicitou um helicóptero à Polícia Federal em Brasília para fazer o resgate das ossadas. "Ainda não sabemos se os corpos são de garimpeiros ou índios."

A Roosevelt, localizada entre os municípios de Cacoal e Espigão d'Oeste, tornou-se uma terra sem lei desde que começou na área a exploração ilegal de diamantes, em agosto de 2000. A estimativa do DNPM (Departamento Nacional de Pesquisa Mineral) de Rondônia é que tenham saído R$ 160 milhões do garimpo desde o início da atividade.

A PF realiza uma operação na reserva desde o dia 26 de março com o objetivo de acabar com a extração de diamantes. Foram apreendidas 3.245 pedras e retirados 2.000 garimpeiros. Também foi preso o israelense Yair Assis, 52, com 50 diamantes.

De acordo com a PF, as pedras extraídas da Roosevelt vão para a cidade de Juína, no norte do Mato Grosso, onde há uma espécie de bolsa de pedras preciosas. De lá, sairiam do país.

Para impedir o retorno dos garimpeiros com o fim da intervenção, a PF está construindo uma base no interior da reserva.

A operação policial foi motivada pelas mortes resultantes do conflito entre garimpeiros e índios e pela cobrança de pedágio, por parte das lideranças indígenas, para a exploração mineral.

Para Moura, a conivência dos índios é responsável pela volta constante dos garimpeiros. Segundo Antenor Bastos Filho, engenheiro florestal da Funai (Fundação Nacional do Índio) que esteve na Roosevelt em janeiro, líderes indígenas cobram em torno de R$ 20 mil de cada garimpeiro para a entrada do maquinário.

"Eles (os índios) ainda cobram 30% do diamante encontrado para que os homens possam continuar trabalhando", disse Moura.

Jazidas
Segundo o gemólogo Amoss de Oliveira, do DNPM de Mato Grosso, a maior região produtora de diamantes do país é Juína. No ano passado, teriam sido extraídos de lá aproximadamente 450 mil quilates, a um preço médio de US$ 25 o quilate, o que corresponderia a US$ 11,25 milhões.

"O diamante de Juína é de qualidade industrial, ou seja, seu preço é mais baixo", disse ele.

Já o restante do país teria produzido, também no ano passado, em torno de 150 mil quilates, a um preço médio de US$ 120 o quilate, que daria em torno de US$ 18 milhões. "Essas pedras são de qualidade gemológica, seu preço é mais alto."

De acordo com o gemólogo, os diamantes de baixa qualidade, como os de Juína, vão para a Índia, onde seriam produzidas jóias de baixo valor. Já as pedras de qualidade superior vão para a Antuérpia, na Bélgica, centro mundial do comércio de diamantes.

 

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