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27/02/2003 - 04h29

Fernandinho Beira-Mar chega a São Paulo

LÍVIA MARRA
MÁRCIO DINIZ
da Folha Online
EDUARDO RONDON
da Agência Folha

O traficante Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, foi transferido na madrugada desta quinta-feira de Bangu 1, no Rio, para o presídio de segurança máxima de Presidente Bernardes (589 km a oeste de São Paulo).

Beira-Mar chegou por volta das 3h45 no aeroporto de Presidente Prudente, distante cerca de 20 quilômetros de Presidente Bernardes, em um monomotor da Polícia Federal.

A escolta do traficante até o presídio foi feita sob um grande aparato policial, que contou com cerca de 44 homens das polícias Civil, Militar e Federal e 12 carros.

A transferência de Beira-Mar só foi possível após um acordo fechado na noite desta quarta-feira envolvendo os ministros da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, da Casa Civil, José Dirceu, e os governadores de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), e do Rio, Rosinha Matheus (PSB).

"É claro que nós não podemos achar que todos os nossos problemas serão solucionados com a transferencia dele [Beira-Mar]. Ele era apenas uma parte desse problema, e pelo menos esse nós resolvemos", disse Rosinha em entrevista à Globonews.

Beira-Mar deixou o presídio de Bangu 1 por volta das 23h levado por policiais à Base Aérea de Santa Cruz, na zona oeste, de onde a aeronave da FAB decolou no início da madrugada.

A operação foi marcada por informações desencontradas e sigilo sobre o destino do traficante por questão de segurança.

O presídio de Presidente Bernardes é considerado pela polícia uma instituição modelo e à prova de fugas.

Na cadeia paulista, Beira-Mar perderá as regalias que desfrutava no Rio. Além de contar com um sistema de bloqueadores de celulares, o presídio mantém o preso isolado praticamente durante o dia todo.

Visitas íntimas também não são permitidas, além de não haver acesso para os presos a jornal, revista e televisão. Vinte seis câmeras vigiam os detentos durante 24 horas.

Violência no Rio

Beira-Mar é apontado como o responsável pelas ações criminosas que atingem o Rio desde segunda-feira.

Gravações feitas com autorização judicial pela Polícia Civil do Rio captaram conversas em que detentos dos presídios Bangu 3 e 4 transmitiam a traficantes em liberdade, via telefone celular, instruções para as ações violentas que trouxeram pânico à capital e a mais cinco cidades do Grande Rio.

Os presos diziam, segundo a polícia, que seguiam ordens de líderes da facção criminosa CV (Comando Vermelho) presos em Bangu 1.

Nas gravações, os detentos citaram como mandantes Fernandinho Beira-Mar, Márcio Nepomuceno, o Marcinho VP, Isaías da Costa Rodrigues, o Isaías do Borel, Marcus Vinícius da Silva, o Lambari, e Marcos Antônio da Silva Tavares, o Marquinhos Niterói.

Também na última segunda-feira, um panfleto distribuído em vários pontos do Rio reivindicava para a organização a autoria dos ataques incendiários a ônibus, ameaças a comerciantes, saques a mercados e atentados com bombas de fabricação caseira.

Polêmica

A possibilidade de transferir Beira-Mar já havia sido cogitada anteriormente. No entanto, não havia obtido sucesso por conta da polêmica entre os governantes.

Em setembro de 2002, o secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, disse que não fazia objeções à transferência de Beira-Mar.

Nesta quarta-feira, após discussões sobre o destino do traficante, o secretário da Administração Penitenciária do Rio, Astério Pereira dos Santos, afirmou que a transferência de Beira-Mar, além de ser de interesse público, tinha amparo legal.

Segundo o secretário, afastar os criminosos de maior periculosidade do local de origem é importante para desarticular o crime organizado.

Beira-Mar

Fernandinho Beira-Mar, integrante da facção criminosa CV (Comando Vermelho) é considerado um dos maiores traficantes de drogas e armas do país. Mesmo da cadeia, comanda ações criminosas.

Preso em abril de 2001 na Colômbia, ficou preso em Brasília e foi transferido para o presídio de Bangu, no Rio.

Em setembro do ano passado, após liderar uma rebelião que resultou na morte de quatro rivais e na destruição da unidade, Beira-Mar e outros membros do CV foram transferidos para o Batalhão de Choque da Polícia Militar. Voltaram para Bangu em outubro do mesmo ano, após reforma.


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