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07/06/2003 - 22h36

Estudo aponta falhas no HC da Unicamp

DIOGO PINHEIRO
da Folha de S.Paulo, em Campinas

Um planejamento estratégico elaborado pela Superintendência do Hospital das Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), concluído na semana passada, diagnosticou falhas e apontou ameaças ao maior hospital da região, responsável por mais de 300 mil consultas anuais.

Conforme o diagnóstico, a ausência de um financiamento adequado, a discrepância entre a demanda e o repasse de verba do SUS (Sistema Único de Saúde), a desatualização tecnológica e a precariedade da rede pública são as principais ameaças ao atendimento aos pacientes.

Segundo o superintendente do HC, Ivan Felizardo Contrera Toro, os problemas diagnosticados na unidade impedem que a capacidade de atendimento seja ampliada entre 20% e 30%.

Um exemplo prático da defasagem tecnológica do HC é o tempo que se leva para realizar uma tomografia. Com o aparelho convencional utilizado no HC, um exame demora 15 minutos.

Com um aparelho de tecnologia mais avançada, similar ao utilizado no Hospital Regional de Sumaré, a tomografia seria feita em apenas um minuto.

"Não há falta de atendimento, mas ele poderia ser feito de forma mais rápida. Devido à desorganização, perde-se tempo na hora do atendimento", afirmou Toro.

A previsão orçamentária do HC para este ano é de R$ 142 milhões (R$ 92 milhões destinados pela própria Unicamp e R$ 50 milhões pelo SUS). Só com os 3.100 funcionários, o hospital vai gastar R$ 90 milhões.

Segundo o diagnóstico, todas as áreas geradoras de receita são deficitárias, pois o ressarcimento do SUS cobre pouco mais de 50% das despesas com pessoal.

O custo da UTI (Unidade de Terapia Intensiva), por exemplo, é de R$ 600 mil. No entanto, o faturamento é de R$ 130 mil.

"Nunca houve uma defasagem tão grande entre o que o SUS paga e o que o hospital gasta", afirmou o superintendente.

O HC acumula uma dívida de R$ 4,7 milhões. Só no ano passado, o déficit acumulado pelo hospital foi de R$ 800 mil.

Outro problema diagnosticado é a falta de hierarquização e regionalização do atendimento.

Das 359,1 mil consultas realizadas em 2002, 39,5 mil (11%) foram destinadas ao atendimento de pacientes que poderiam ter sido tratados em postos de saúde de seus municípios.

"Após a falta de recursos, a demanda nos hospitais que tratam de especificidades é a principal questão a ser discutida na região. Com a demanda nesses hospitais, a população fica na fila. As pessoas com problemas mais graves têm de esperar pelos atendimentos mais simples", disse o diretor da DIR-12 (Direção Regional de Saúde), Sérgio Grecco.

O superintendente do HC afirmou que a discussão sobre o planejamento estratégico não deve ficar restrita à unidade de saúde.

"Há a necessidade da participação da DIR-12, da associação de pacientes, do sindicato dos trabalhadores e também das prefeituras", afirmou Toro.

De acordo com o superintendente, projetos para a liberação de verbas para o HC já estão sendo analisados pelo Ministério da Saúde.

"O planejamento é insuficiente se não tiver um conselho gestor. Isso precisa se materializar. O hospital tem um problema estrutural e os funcionários trabalham sem condições", disse Elisabete Reimão, coordenadora de saúde do STU (Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp).

 

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