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25/06/2003
-
04h33
Eles são policiais jovens, usam roupas de grife e cortes de cabelo da moda, entendem de música eletrônica e, como parte do disfarce, até dirigem carros importados. Sua missão é infiltrar-se em casas noturnas e raves --festas com música eletrônica, geralmente ao ar livre-- de São Paulo para localizar traficantes de drogas sintéticas, como ecstasy e LSD.
À noite, eles frequentam as pistas de dança e procuram interagir com os jovens. Apesar de a identidade dos policiais ser desconhecida, sua ação já foi percebida. Frequentadores da noite paulistana ouvidos pela Folha relataram que usuários e vendedores da droga estão muito mais "discretos", por medo da repressão.
Perucas e óculos
Por noite, os policiais do Denarc visitam até quatro casas noturnas ou mais de uma festa, inclusive no interior. Para isso, levam diferentes tipos de roupas, perucas e óculos no porta-malas do carro.
Nos últimos oito meses, a "unidade clubber" --como são chamados os frequentadores das festas- prendeu oito pessoas acusadas de vender ecstasy.
O último detido era um DJ que, segundo o Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos), estaria distribuindo cerca de 20 mil comprimidos por mês. DJs são os responsáveis pela música nos eventos.
A ação da polícia fez com que o circuito do ecstasy se fechasse. A distribuição da droga foi confinada a grupos de usuários que se conhecem. Há esquemas de venda pela internet, em que a identidade do traficante nunca é revelada.
Para a polícia, as operações fazem parte de uma política de prevenção. "O garoto que vai iniciar o consumo não consegue por não achar a droga tão facilmente", afirma o delegado Ivaney Cayres de Souza, diretor do Denarc.
Como a anfetamina, do grupo de substâncias usadas para inibir o apetite, o ecstasy age no sistema nervoso central provocando diversos estímulos e, dependendo da dose, até alucinações. Os usuários afirmam que a droga ajuda a "sentir" a música eletrônica.
Para coibir o uso e a venda das drogas sintéticas, a polícia tem entre seus alvos não apenas os traficantes, mas também os donos de casas noturnas onde há tráfico.
Em ações conjuntas com o Ministério Público, o Denarc pretende identificar os lugares onde isso acontece e responsabilizar os proprietários. O argumento é que algumas casas se transformaram em "abrigo" para o tráfico, algo que os donos dos estabelecimentos seriam obrigados a evitar.
Preços
O traficante de ecstasy tem entre 20 e 28 anos e é de classe média ou média-alta, segundo a polícia.
O preço da droga, que depende da quantidade comprada, acaba estimulando a transformação de usuários em traficantes. Um comprimido pode custar até R$ 60, dependendo do perfil da festa. Em média, o valor é R$ 30.
Mas quem compra em grande quantidade no atacado, para redistribuir na noite, consegue desconto do traficante, segundo o delegado Eduardo Sales Pitta, do SOE (Setor de Operações Especiais), que chefia uma equipe de dez policiais que trabalham infiltrados. Um lote de 200 pílulas pode sair por R$ 17 cada. "Parece uma oportunidade fácil de ganhar dinheiro", afirma ele.
Apenas neste ano, o Denarc apreendeu em média 925 comprimidos por mês na capital e Grande São Paulo, mais que a marca de 633 unidades do ano passado.No país, as apreensões da Polícia Federal saltaram de 16,7 mil comprimidos em 2000 para 54,6 mil nos primeiros quatro meses e meio deste ano.
Policiais "clubbers" vigiam noite paulistana
da Folha de S.PauloEles são policiais jovens, usam roupas de grife e cortes de cabelo da moda, entendem de música eletrônica e, como parte do disfarce, até dirigem carros importados. Sua missão é infiltrar-se em casas noturnas e raves --festas com música eletrônica, geralmente ao ar livre-- de São Paulo para localizar traficantes de drogas sintéticas, como ecstasy e LSD.
À noite, eles frequentam as pistas de dança e procuram interagir com os jovens. Apesar de a identidade dos policiais ser desconhecida, sua ação já foi percebida. Frequentadores da noite paulistana ouvidos pela Folha relataram que usuários e vendedores da droga estão muito mais "discretos", por medo da repressão.
Perucas e óculos
Por noite, os policiais do Denarc visitam até quatro casas noturnas ou mais de uma festa, inclusive no interior. Para isso, levam diferentes tipos de roupas, perucas e óculos no porta-malas do carro.
Nos últimos oito meses, a "unidade clubber" --como são chamados os frequentadores das festas- prendeu oito pessoas acusadas de vender ecstasy.
O último detido era um DJ que, segundo o Denarc (Departamento Estadual de Investigações sobre Narcóticos), estaria distribuindo cerca de 20 mil comprimidos por mês. DJs são os responsáveis pela música nos eventos.
A ação da polícia fez com que o circuito do ecstasy se fechasse. A distribuição da droga foi confinada a grupos de usuários que se conhecem. Há esquemas de venda pela internet, em que a identidade do traficante nunca é revelada.
Para a polícia, as operações fazem parte de uma política de prevenção. "O garoto que vai iniciar o consumo não consegue por não achar a droga tão facilmente", afirma o delegado Ivaney Cayres de Souza, diretor do Denarc.
Como a anfetamina, do grupo de substâncias usadas para inibir o apetite, o ecstasy age no sistema nervoso central provocando diversos estímulos e, dependendo da dose, até alucinações. Os usuários afirmam que a droga ajuda a "sentir" a música eletrônica.
Para coibir o uso e a venda das drogas sintéticas, a polícia tem entre seus alvos não apenas os traficantes, mas também os donos de casas noturnas onde há tráfico.
Em ações conjuntas com o Ministério Público, o Denarc pretende identificar os lugares onde isso acontece e responsabilizar os proprietários. O argumento é que algumas casas se transformaram em "abrigo" para o tráfico, algo que os donos dos estabelecimentos seriam obrigados a evitar.
Preços
O traficante de ecstasy tem entre 20 e 28 anos e é de classe média ou média-alta, segundo a polícia.
O preço da droga, que depende da quantidade comprada, acaba estimulando a transformação de usuários em traficantes. Um comprimido pode custar até R$ 60, dependendo do perfil da festa. Em média, o valor é R$ 30.
Mas quem compra em grande quantidade no atacado, para redistribuir na noite, consegue desconto do traficante, segundo o delegado Eduardo Sales Pitta, do SOE (Setor de Operações Especiais), que chefia uma equipe de dez policiais que trabalham infiltrados. Um lote de 200 pílulas pode sair por R$ 17 cada. "Parece uma oportunidade fácil de ganhar dinheiro", afirma ele.
Apenas neste ano, o Denarc apreendeu em média 925 comprimidos por mês na capital e Grande São Paulo, mais que a marca de 633 unidades do ano passado.No país, as apreensões da Polícia Federal saltaram de 16,7 mil comprimidos em 2000 para 54,6 mil nos primeiros quatro meses e meio deste ano.
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