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03/08/2003 - 19h35

Artigo - André Fischer: Beijaço no shopping

ANDRÉ FISCHER
da Revista da Folha

João Paulo, 25, e Rodrigo, 21, namoram há três anos e moram com os pais em extremos opostos da cidade. Enquanto o plano de morar juntos não se concretiza, costumam se encontrar para jantar ou ir ao cinema. Foi o que fizeram no domingo passado, quando combinaram de se encontrar na entrada do shopping Frei Caneca a tempo de pegar a última sessão do Arteplex.

O shopping, conhecido como "Gay Caneca", é bastante frequentado por gays e lésbicas, que a qualquer momento do dia e da noite compõem boa parte do público dos cinemas, praça de alimentação e lojas.

Jorge Araújo/Folha Imagem

"Beijaço" acontece ao som de Kiss e Beijinho Doce

Ao se cumprimentarem, trocaram um beijinho como sempre fazem. Naquele instante começaria um pesadelo que só terminaria no 4º Distrito Policial.

Segundo eles, no momento do beijo um segurança decidiu separá-los, justificando que manifestações de afeto eram proibidas entre pessoas do mesmo sexo naquele local. Perguntaram então se o mesmo se aplicava a casais heterossexuais. O segurança respondeu que "aí seria diferente".

Naquele instante, outros seguranças cercaram os rapazes, e o responsável pela administração confirmou a eles que aquela era a política estabelecida pela direção.

Segundo a assessoria de imprensa do shopping, não houve discriminação, tampouco abuso por parte dos seguranças, já que o procedimento adotado seria o mesmo para o caso de beijos "muito intensos" entre casais heterossexuais nas dependências do shopping.

João e Rodrigo deram entrada em ação indenizatória por danos morais e pretendem usar a lei estadual 667/2000, que prevê multa a estabelecimentos comerciais em caso de comprovada discriminação.

Para protestar contra o preconceito, grupos gays da capital estão convocando para hoje um "beijaço" na praça de alimentação do shopping (r. Frei Caneca, 569).

O beijaço consiste em vários casais de gays e lésbicas se beijando ao mesmo tempo em locais que registrem casos de discriminação devido à orientação sexual dos seus frequentadores.

De nada vale um milhão de pessoas na Parada do Orgulho Gay se vergonhas como esta continuarem a acontecer impunemente.

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