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23/06/2006
-
15h41
PATRÍCIA ZIMMERMANN
da Folha Online, em Brasília
O ministro Hélio Costa (Comunicações) confirmou hoje que o governo brasileiro fechou um acordo com o Japão para a implantação do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD).
Em entrevista à Folha Online, Costa disse que o ministro das Comunicações do Japão, Heizo Takenaka, estará no Brasil no próximo dia 29 para participar, juntamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da solenidade em que será feito o anúncio oficial da escolha brasileira.
Reportagem da Folha de S.Paulo noticiou a escolha do padrão japonês para a TV digital no início de março.
O ministro afirmou que o acordo prevê o uso de tecnologia japonesa com a incorporação de inovações desenvolvidas por pesquisadores brasileiros.
Entre essas inovações estão o sistema de compressão de vídeo (MPEG-4), o sistema operacional (middleware) e aplicativos (softwares, por exemplo), que seriam agregados ao sistema de modulação japonês no Brasil.
Segundo o representante do padrão japonês no Brasil, Yasutoshi Miyoshi, o acordo a ser assinado trata também do financiamento do JBIC (banco japonês de fomento) para a implantação da TV digital no Brasil e da proposta de trabalho conjunto para viabilizar a modernização da indústria eletrônica brasileira.
Miyoshi evitou dar detalhes da proposta japonesa negociada entre segunda e quarta-feira desta semana, quando técnicos do governo e da indústria japonês e brasileiro estiveram reunidos no Itamaraty, cujos termos foram aprovados ontem pelo governo brasileiro.
Sobre a instalação de uma fábrica de semicondutores (chips) no Brasil, o documento deverá tratar de um compromisso de formação de mão-de-obra especializada e criação de condições no país que viabilizem a implantação dessa indústria.
Vazamento
O ministro, que não está em Brasília, concedeu a entrevista à Folha Online após o vazamento da notícia sobre o acordo com o Japão no início da tarde, quando Miyoshi revelou que o governo do país asiático já havia tomado conhecimento da decisão.
A Folha Online apurou que o vazamento causou mal-estar no governo brasileiro, que considerou que a escolha da tecnologia seria uma decisão de governo, e que, portanto, a "palavra final" caberia a Lula.
O embaixador do Japão no Brasil, Takahiko Horimura, recebeu a notícia por meio de telefonema do diretor do departamento de Cooperação Científica, Técnica e Tecnológica do Itamaraty, embaixador Antonino Marques Porto e Santos, ontem pela manhã. Ele informou oficialmente que a proposta japonesa havia sido acolhida. Hoje a notícia foi publicada pelo jornal econômico japonês "Nihon Keizai Shimbun".
Miyoshi considerou a escolha brasileira importante para o padrão japonês (ISDB) pelo mercado brasileiro de televisão e também porque o próprio governo brasileiro já manifestou interesse em convencer outros países da América do Sul a adotarem a mesma tecnologia.
Segundo ele, após o Brasil escolher o sistema, que hoje está em funcionamento apenas no Japão, cresce a possibilidade de conquista de novos mercados.
Além do sistema japonês, o governo brasileiro também negociou com representantes dos sistemas europeu (DVB) e americano (ATSC).
A ausência de tecnologia que permitisse a mobilidade foi um dos principais argumentos do governo brasileiro para descartar o sistema americano, que tinha como principal qualidade a alta definição.
Já o sistema europeu, foi defendido principalmente por produtores de conteúdo, como uma oportunidade de abertura do mercado de televisão por privilegiar a multiprogramação, e também a entrada novas emissoras no mercado, o que não agrada às grandes emissoras.
O sistema japonês, que tem a preferência das emissoras de TV brasileiras, saiu em vantagem porque era o que melhor atendias às condições impostas pelo governo brasileiro, permitindo alta definição, mobilidade (no ônibus), portabilidade (no celular) e interatividade. O avanço das negociações envolvendo contrapartidas principalmente para a indústria brasileira pesaram na escolha.
Toda essa tecnologia, com imagem e som de alta qualidade, possibilidade de interatividade, entre outras vantagens, no entanto, ainda vai demorar um pouco para chegar aos lares brasileiros. As emissoras de TV estimam que poderão iniciar as primeiras transmissões da TV digital em uma ou duas capitais brasileiras seis meses após o anúncio oficial do governo, se forem definidas agora as especificações técnicas do SBTVD.
Para ter acesso a essas transmissões, no entanto, provavelmente será necessário importar equipamentos, já que a indústria nacional prevê o prazo de um ano para o desenvolvimento e produção de decodificadores e televisores digitais.
A TV digital deverá levar cerca de dez anos para chegar a todo o país, período estimado pelo governo para a transição entre os sistemas analógico e digital.
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Ministro confirma acordo com Japão para a TV digital
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da Folha Online, em Brasília
O ministro Hélio Costa (Comunicações) confirmou hoje que o governo brasileiro fechou um acordo com o Japão para a implantação do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD).
Em entrevista à Folha Online, Costa disse que o ministro das Comunicações do Japão, Heizo Takenaka, estará no Brasil no próximo dia 29 para participar, juntamente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, da solenidade em que será feito o anúncio oficial da escolha brasileira.
Reportagem da Folha de S.Paulo noticiou a escolha do padrão japonês para a TV digital no início de março.
Folha Imagem |
Imagens da TV digital poderão ser vistas em veículos em movimento e em celulares |
O ministro afirmou que o acordo prevê o uso de tecnologia japonesa com a incorporação de inovações desenvolvidas por pesquisadores brasileiros.
Entre essas inovações estão o sistema de compressão de vídeo (MPEG-4), o sistema operacional (middleware) e aplicativos (softwares, por exemplo), que seriam agregados ao sistema de modulação japonês no Brasil.
Segundo o representante do padrão japonês no Brasil, Yasutoshi Miyoshi, o acordo a ser assinado trata também do financiamento do JBIC (banco japonês de fomento) para a implantação da TV digital no Brasil e da proposta de trabalho conjunto para viabilizar a modernização da indústria eletrônica brasileira.
Miyoshi evitou dar detalhes da proposta japonesa negociada entre segunda e quarta-feira desta semana, quando técnicos do governo e da indústria japonês e brasileiro estiveram reunidos no Itamaraty, cujos termos foram aprovados ontem pelo governo brasileiro.
Sobre a instalação de uma fábrica de semicondutores (chips) no Brasil, o documento deverá tratar de um compromisso de formação de mão-de-obra especializada e criação de condições no país que viabilizem a implantação dessa indústria.
Vazamento
O ministro, que não está em Brasília, concedeu a entrevista à Folha Online após o vazamento da notícia sobre o acordo com o Japão no início da tarde, quando Miyoshi revelou que o governo do país asiático já havia tomado conhecimento da decisão.
A Folha Online apurou que o vazamento causou mal-estar no governo brasileiro, que considerou que a escolha da tecnologia seria uma decisão de governo, e que, portanto, a "palavra final" caberia a Lula.
O embaixador do Japão no Brasil, Takahiko Horimura, recebeu a notícia por meio de telefonema do diretor do departamento de Cooperação Científica, Técnica e Tecnológica do Itamaraty, embaixador Antonino Marques Porto e Santos, ontem pela manhã. Ele informou oficialmente que a proposta japonesa havia sido acolhida. Hoje a notícia foi publicada pelo jornal econômico japonês "Nihon Keizai Shimbun".
Miyoshi considerou a escolha brasileira importante para o padrão japonês (ISDB) pelo mercado brasileiro de televisão e também porque o próprio governo brasileiro já manifestou interesse em convencer outros países da América do Sul a adotarem a mesma tecnologia.
Segundo ele, após o Brasil escolher o sistema, que hoje está em funcionamento apenas no Japão, cresce a possibilidade de conquista de novos mercados.
Além do sistema japonês, o governo brasileiro também negociou com representantes dos sistemas europeu (DVB) e americano (ATSC).
A ausência de tecnologia que permitisse a mobilidade foi um dos principais argumentos do governo brasileiro para descartar o sistema americano, que tinha como principal qualidade a alta definição.
Já o sistema europeu, foi defendido principalmente por produtores de conteúdo, como uma oportunidade de abertura do mercado de televisão por privilegiar a multiprogramação, e também a entrada novas emissoras no mercado, o que não agrada às grandes emissoras.
O sistema japonês, que tem a preferência das emissoras de TV brasileiras, saiu em vantagem porque era o que melhor atendias às condições impostas pelo governo brasileiro, permitindo alta definição, mobilidade (no ônibus), portabilidade (no celular) e interatividade. O avanço das negociações envolvendo contrapartidas principalmente para a indústria brasileira pesaram na escolha.
Toda essa tecnologia, com imagem e som de alta qualidade, possibilidade de interatividade, entre outras vantagens, no entanto, ainda vai demorar um pouco para chegar aos lares brasileiros. As emissoras de TV estimam que poderão iniciar as primeiras transmissões da TV digital em uma ou duas capitais brasileiras seis meses após o anúncio oficial do governo, se forem definidas agora as especificações técnicas do SBTVD.
Para ter acesso a essas transmissões, no entanto, provavelmente será necessário importar equipamentos, já que a indústria nacional prevê o prazo de um ano para o desenvolvimento e produção de decodificadores e televisores digitais.
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