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21/08/2006 - 09h40

Fundos de dividendos têm boa rentabilidade com lucros de empresas

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FABRICIO VIEIRA
da Folha de S.Paulo

Os resultados de muitas empresas nacionais no primeiro semestre deste ano mostraram a continuidade da expansão de seus lucros. O setor bancário, por exemplo, nunca ganhou tanto. Para os acionistas, esses dados são animadores: os resultados recordes das companhias significam pagamento maior de dividendos.

Apenas no primeiro semestre deste ano, os proventos (especialmente dividendos e juros sobre o capital) já pagos representam 87% do registrado em todo o ano de 2005. Os dados pertencem à CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia).

Na primeira metade de 2006, foram repassados, via CBLC, R$ 15,47 bilhões em proventos. Em todo o ano de 2005 foram R$ 17,74 bilhões, e em 2004 foram R$ 13,65 bilhões. Há pouco tempo, em 2000, foram contabilizados apenas R$ 3,06 bilhões pagos em proventos.

E esse montante considera apenas os proventos pagos por meio da CBLC. Há um pesado volume de recursos repassados diretamente pelas empresas a seus acionistas.

Os dividendos são uma parcela do lucro que as companhias de capital aberto têm de repassar obrigatoriamente a seus acionistas. Por lei, no mínimo 25% do lucro líquido da empresa é creditado aos acionistas via dividendos. Assim, quanto mais as companhias lucram, mais os detentores de suas ações ganham.

Na esteira desse momento favorável, as instituições financeiras têm colocado no mercado um tipo de fundo de ação conhecido como 'fundo de dividendos'. Essas aplicações buscam carregar ações de empresas que historicamente são boas pagadoras de dividendos.

Os principais bancos de varejo já têm produtos desse tipo. O investimento mínimo varia bastante de uma instituição para outra, mas é possível entrar em alguns desses fundos com menos de R$ 1.000.

Nessas aplicações, além da esperada valorização dos papéis, o investidor ainda pode lucrar um pouco mais com o pagamento dos dividendos.

Welber Brito, gestor da UAM (Unibanco Asset Management), afirma que os dividendos provenientes do fundo que administra são creditados diretamente na conta corrente do cliente.

'Esse fundo dá a oportunidade de o cliente sempre ter algum dinheiro caindo na sua conta corrente', comenta o gestor da UAM.

O Unibanco Private Dividendos deu rentabilidade anual de 15,48% até o dia 16, batendo o Ibovespa (principal índice da Bolsa paulista), que subiu 12,62% no período. Ou seja, além de pagar dividendos, o fundo do banco rendeu mais que a Bolsa.

Levantamento do site Fortuna, especializado no acompanhamento de fundos de investimento, mostra que o BB Top Ações Dividendos (do Banco do Brasil) e o Bradesco FIA Dividendos se destacam em termos de rentabilidade no ano, com valorização de 20,70% e 17,42%, respectivamente.

Os fundos de renda fixa, a maior categoria do mercado, que pagam juros a seus aplicadores, renderam na média 9,5% no período. A renda fixa conta com patrimônio líquido de R$ 330 bilhões, cerca de 40% de todo o mercado de fundos, segundo a Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).

Os fundos de dividendos são catalogados na categoria 'ações outros', que conta com patrimônio de R$ 12,68 bilhões.

Analistas lembram que, como qualquer fundo de ação, esses carregam riscos maiores que a renda fixa.

Escolhas

O gestor Guilherme Rebouças de Oliveira, do Itaú, afirma que o objetivo do fundo 'é ser melhor que a Bolsa, com o foco nos dividendos'. O fundo do Itaú, o Ace Dividendos Ações, é um dos mais antigos do mercado, estando ativo desde o fim da década de 90, e conta com patrimônio de cerca de R$ 300 milhões --um dos maiores do segmento. Neste ano, a rentabilidade do fundo está em torno dos 12%.

'É um fundo para quem pensa no longo prazo e com um caráter mais defensivo', diz Oliveira. O gestor explica que sempre busca ações de empresas com elevado 'dividend yield'.

O dividend yield representa o total de dividendos e juros sobre capital pagos por uma empresa, em determinado período, dividido pela cotação da ação.

Apesar dos grandes lucros e conseqüentes volumes expressivos de dividendos repassados, 'os bancos têm dividend yield na média do mercado', afirma Oliveira.

Setores

Brito, da UAM, destaca ações dos setores de energia elétrica e de telecomunicações como sérias candidatas a entrar na carteira do fundo. 'Avaliamos as expectativas de pagamentos de dividendos das ações e também papéis que tenham boas perspectivas de valorização', diz o gestor.

'O fundo não tem tanta volatilidade. É indicado para quem quer dar uma diversificada, buscando uma rentabilidade interessante', diz.

Com a expectativa de que a economia brasileira consiga registrar neste ano uma taxa de crescimento melhor que a alcançada em 2005, o panorama para esses fundos acaba por ser bastante favorável. As companhias brasileiras têm tudo para seguirem lucrando cada vez mais e pagando volumes maiores de proventos.

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