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08/06/2008 - 09h03

Alvo de disputas, VarigLog vive crise

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MARINA GAZZONI
colaboração para a Folha de S. Paulo

Dois anos após a compra da VarigLog, ex-subsidiária de cargas da Varig, o fundo americano Matlin Patterson diz que a empresa está se recuperando dos problemas financeiros que enfrentou decorrentes das disputas judiciais e administrativas do fundo com os sócios brasileiros afastados pela Justiça. Dois sindicatos da categoria e funcionários da empresa ouvidos pela Folha discordam. Para eles, a situação financeira da VarigLog ainda é precária.

A VarigLog está no centro das denúncias contra a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), acusada por ex-diretores da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de ter pressionado pela aprovação de sua venda, apesar de alertas sobre a condição irregular da sociedade formada pelo fundo americano e os sócios brasileiros.

Os funcionários da VarigLog em Guarulhos paralisaram as atividades na madrugada de ontem. Segundo Raphael Moraes, um dos integrantes da Comissão Interna de Representantes dos Trabalhadores da VarigLog de Guarulhos, eles querem o fim da "seqüência de demissões" e o pagamento dos salários atrasados.

Moraes afirma que a empresa não deposita o FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) dos trabalhadores desde junho do ano passado.

Os benefícios que a VarigLog se comprometeu a pagar aos trabalhadores que aderiram ao PDV (Programa de Demissão Voluntária) também não foram acertados, afirma Moraes.

Um dos funcionários que aderiram ao PDV foi o auxiliar de carga Reginaldo Ferreira, 28, que optou por sair da empresa em maio. Ele temia que a disputa entre os sócios sacrificasse os pagamentos dos trabalhadores e pensou que seria um bom negócio se demitir e receber benefícios trabalhistas.

Desempregado, Ferreira diz enfrentar dificuldades financeiras, pois, conforme relata, não recebeu os benefícios acertados. Segundo ele, a rescisão do contrato ainda não foi homologada e, por isso, não pode receber o seguro-desemprego.

Mesmo assim, ele afirma que não se arrepende da decisão. "Ao menos estou livre para procurar outra coisa."

De acordo com Moraes, cerca de 500 funcionários foram demitidos nas duas últimas semanas. Segundo o sindicato dos aeroviários, outros 266 foram dispensados entre outubro de 2007 e janeiro deste ano. A entidade também diz que a empresa anunciou corte de 856 aeroviários e 112 aeronautas para os próximos 12 meses. A VarigLog não dá informações sobre esses dados.

A ameaça da Anac de cassar a concessão da VarigLog também assustou os trabalhadores, diz o funcionário Ailton Gonçalves. "O governo não pode parar as operações. Os funcionários querem trabalhar."

Falta de pagamento

O sindicato dos aeroviários diz que é comum empresas prestadoras de serviços à VarigLog suspenderem a atividade por falta de pagamento. "Eles contratam, atrasam o pagamento e as prestadoras abandonam os postos. Eles (VarigLog) contratam outras e fazem tudo de novo." Moraes cita como exemplo a empresa que operava empilhadeiras em Guarulhos, que teria desistido por falta de pagamento. Segundo ele, hoje os próprios funcionários da VarigLog, que não são treinados para a função, operam os equipamentos.

O Matlin afirma que a VarigLog está melhor hoje do que quando assumiu a empresa, após o afastamento dos ex-sócios do fundo -Marco Antonio Audi, Marcos Haftel e Luiz Eduardo Gallo- por ordem judicial, em abril deste ano.

Na época, a empresa operava com apenas um avião, sem manutenção da frota e com contratos rescindidos por clientes, diz o Matlin. Segundo o fundo, hoje a VarigLog tem sete aviões em operação, e sua diretoria negocia com os sindicatos dos funcionários um processo de reestruturação da companhia.

Audi nega que a VarigLog esteja melhor hoje. Ele diz que, na gestão dos brasileiros, os empregos e os vôos internacionais foram mantidos. Segundo ele, quando o fundo dos EUA assumiu o comando, a empresa deixou de voar ao exterior e quase mil funcionários foram demitidos. "Desde que largamos a companhia, ela se reduziu a um quinto do seu tamanho."

 

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