Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
31/05/2000 - 19h26

Em carta, Silvio Santos diz que quebra sem Tele Sena

Publicidade

da Folha de S. Paulo

Em carta manuscrita, dirigida a desembargadores do Tribunal Regional Federal (TRF) em São Paulo, onde corre a ação pedindo o fim da Tele Sena, o empresário e apresentador Silvio Santos revela como conseguiu montar e depois impedir que o SBT, a segunda maior rede de TV do país, fosse à falência, há quase dez anos.

Na carta, datada de 17 de janeiro deste ano, Silvio Santos conta que criou a Tele Sena, em 1991, para cobrir os prejuízos do SBT, que já não conseguia se sustentar e crescer apenas com publicidade e os lucros do carnê Baú da Felicidade.

A carta foi enviada à desembargadora federal Therezinha Cazerta, em 2 de fevereiro, pelo advogado Samuel Auday Buzaglo, contratado pela Liderança Capitalização, maior das 33 empresas do Grupo Silvio Santos, com faturamento de R$ 485,6 milhões em 1999, e responsável pela Tele Sena.

O advogado não quis fazer nenhum comentário a respeito do manuscrito. Disse à Folha apenas que "a carta é um apêndice no conjunto de um processo". As assessorias de imprensa do SBT e da Liderança também não comentaram o documento, afirmando não saber do que se tratava.

Apesar de fazer parte da defesa de Silvio Santos, a carta foi interpretada pela desembargadora como uma confissão de que a Tele Sena é uma "loteria disfarçada de título de capitalização".

Nela, Silvio Santos argumenta que a Tele Sena é legal e que seu fim o levaria à falência, prejudicando o SBT e favorecendo a Globo. É a primeira vez que o empresário admite ter criado a Tele Sena para sustentar a rede de TV.

Segundo o empresário, até o pacote de filmes da Warner e da Disney que o SBT vem exibindo, e que tem superado a Globo no Ibope, foi viabilizado pela Tele Sena.

"A Tele Sena gerou em oito anos um lucro que está sustentando todas as empresas do grupo, que dão prejuízo em razão dos altos investimentos na própria rede de TV e na abertura de novos negócios (Internet, TV a cabo, banco etc)", escreveu Silvio Santos.

Iniciativa do próprio empresário, a carta é uma tentativa de sensibilizar os desembargadores do TRF que analisam apelação cível à ação popular que pede a decretação da ilegalidade da Tele Sena.

"Há 24 anos, em 1976, os homens que governavam o país achavam que o Brasil deveria ter uma rede de televisão que fosse capaz de dividir a audiência e a opinião pública com a Rede Globo."

Leia abaixo alguns trechos da carta,, assinada pelo próprio Silvio Santos:

"Era muito difícil, quase impossível, conseguir anúncios no mercado publicitário. Tentando encontrar uma solução, eu lancei o Clam (plano de saúde com capitalização)."

"No terceiro mês (de Clam), chegando à minha casa, encontrei um casal chorando. O filho tinha morrido, num hospital, tratado por médicos conveniados ao meu plano."

"Imaginei um outro plano de capitalização que não me trouxesse problema de consciência e que pudesse salvar meus negócios."

"(A Tele Sena) fez com que as minhas empresas, que estavam com problemas, quase insolventes, se transformassem em grandes empresas."

 

Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página