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05/03/2003 - 03h33

Investimento em ativos argentinos ainda é de alto risco

ÉRICA FRAGA
da Folha de S.Paulo

Os altos ganhos proporcionados recentemente por ativos argentinos não significam que esses investimentos estão livres de risco. Muito pelo contrário.

Segundo Silvina Martinez, diretora de crédito corporativo da agência de classificação de risco Standard & Poor's no país, a capacidade de pagamento das empresas argentinas continua combalida e as perspectivas de renegociação dessas dívidas permanecem distantes.

Apenas três empresas inadimplentes -Telecom Argentina, Multicanal e Clisa (Compañía Latinoamericana de Infraestructura & Servicios)- apresentaram, até agora, propostas aos seus credores para reestruturar suas dívidas. De forma geral, pedem uma redução em torno de 50% do valor devido e outras condições de pagamento, como prazos mais longos.

"As negociações estão apenas começando e as respostas dos credores ainda não têm sido muito positivas", diz Martinez. A S&P classifica em geral os investimentos em papéis privados argentinos como bastante arriscados.

O problema da maior parte das empresas argentinas é o chamado "descasamento" entre receitas e despesas provocado pelo fim da paridade cambial e a brutal desvalorização do peso.

Muitas empresas -como as que detêm concessão de serviços públicos- tinham receitas e dívidas em dólares. Agora, faturam em pesos, mas continuam com dívidas na moeda americana.

Segundo Martinez, a pequena recuperação dos indicadores industriais e a recente valorização do peso diante do dólar, que chega a 10% neste ano, são os principais motivos para a volta de investidores arrojados ao país. O fato de que algumas previsões feitas logo depois do auge da crise, no fim de 2001, para o país não terem se realizado também contribui para a volta de investidores.

Esperava-se, por exemplo, que a Argentina mergulharia em hiperinflação e recessão por muitos anos. O país, porém, está com a inflação sob controle -em janeiro o índice de preços ao consumidor foi de 1,3%- e deverá crescer algo entre 4% e 5% em 2003. Hoje, as eleições, que acontecerão em abril, são a principal fonte de incertezas no país.
 

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